Novo CEO da Disney toma comando: retorna “Senhoras e Senhores” e demite 1.000 para ‘voltar a cultura comum’

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A chegada de um novo comando na Disney já começou a provocar mudanças que vão muito além do discurso institucional. A decisão de retomar a clássica saudação “Senhoras e senhores” nos parques não é apenas um detalhe de comunicação, mas um sinal claro de mudança de direção dentro de uma das maiores empresas de entretenimento do mundo.

Nos bastidores, a leitura é direta: a Disney está tentando reencontrar sua identidade. Depois de anos apostando em mensagens neutras e pautas consideradas mais progressistas, a empresa agora parece dar um passo atrás para recuperar uma linguagem mais tradicional, que sempre fez parte da sua marca.

A mudança foi percebida rapidamente pelos visitantes da Disney World. Anúncios internos voltaram a usar expressões clássicas, substituindo frases mais genéricas que haviam sido adotadas nos últimos anos. O retorno não foi anunciado oficialmente como uma política, mas o gesto fala por si.

Josh D’Amaro, que assumiu como CEO em fevereiro de 2026 no lugar de Bob Iger, chega com a missão de reorganizar a casa. E ele não perdeu tempo. Logo no início da gestão, já colocou em prática decisões que indicam uma guinada estratégica.

Entre essas decisões está um corte significativo de pessoal. Cerca de mil funcionários foram desligados, atingindo principalmente áreas ligadas à televisão tradicional, como a ESPN, além de setores do estúdio de cinema e departamentos corporativos.

A justificativa oficial é a necessidade de otimizar operações e manter o nível de criatividade e inovação. No entanto, analistas do mercado veem algo além disso: uma tentativa de enxugar estruturas que cresceram durante a fase mais ideológica da empresa.

A retirada da saudação tradicional aconteceu por volta de 2021, quando a Disney passou a adotar uma comunicação mais alinhada com pautas de inclusão de gênero. Na época, expressões como “Ladies and gentlemen, boys and girls” foram substituídas por alternativas mais neutras.

Frases como “Good evening, dreamers of all ages” passaram a ser usadas como padrão. A mudança foi celebrada por alguns grupos, mas também gerou críticas de parte do público que via nisso um afastamento da essência original da marca.

Agora, o movimento parece se inverter. A retomada da linguagem tradicional é interpretada como um recado direto: a Disney quer reconectar com seu público mais amplo, sem entrar em debates que dividem a audiência.

Bob Iger já havia sinalizado essa mudança antes de deixar o cargo. Em declarações recentes, afirmou que a prioridade da empresa deveria ser o entretenimento, e não o engajamento em agendas políticas ou sociais.

Essa fala não passou despercebida. Para muitos, foi uma admissão de que a empresa havia ultrapassado limites ao misturar conteúdo com posicionamentos ideológicos, o que acabou afastando parte do público.

D’Amaro, ao assumir, não apenas manteve essa linha como decidiu aprofundá-la. As demissões e a reorganização interna indicam uma tentativa clara de desmontar estruturas criadas para sustentar essa fase anterior.

Outro ponto que reforça essa leitura é a saída de Kristina Schake, Chief Communications Officer que esteve à frente da comunicação durante o período de maior foco em pautas inclusivas. Sua saída, ocorrida em fevereiro de 2026, foi vista como simbólica.

Não se trata apenas de troca de executivos, mas de mudança de filosofia. A nova gestão parece interessada em simplificar a mensagem e evitar temas que possam gerar polarização entre os consumidores.

Do ponto de vista estratégico, a decisão faz sentido. A Disney é uma empresa global, com público diverso, e qualquer posicionamento mais forte pode impactar diretamente seus resultados financeiros.

Ao optar por uma comunicação mais neutra no sentido político, mas tradicional na forma, a empresa tenta recuperar um terreno que perdeu nos últimos anos, especialmente entre famílias e públicos mais conservadores.

A volta ao básico também aparece na forma como a empresa pretende operar daqui para frente. Menos discurso e mais foco no produto final, que é o entretenimento puro e simples.

Isso não significa abandonar completamente temas contemporâneos, mas sim tratá-los com mais cautela e menos protagonismo dentro da estratégia central da empresa.

A mudança, no entanto, ainda está em fase inicial. Será preciso acompanhar os próximos passos para entender até que ponto essa nova direção será mantida ou ajustada ao longo do tempo.

O fato é que a Disney entra em uma nova fase, tentando equilibrar tradição e modernidade sem perder sua base de consumidores. E, ao que tudo indica, o recado inicial da nova gestão é claro: voltar ao que sempre funcionou.

Silvia Cardoso
Silvia Cardoso
Professora Silvia, dou aulas no periodo vespertino e escrevo noticias nos sites da rede Maetips. Mãe de dois meninos, Lucas e Renato de 6 e 12 anos. Sejam muito bem vindos.

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