Antes do apito final da partida entre Brasil e Noruega, muitos olhavam apenas para o resultado dentro de campo. No entanto, existe outra comparação entre os dois países que costuma chamar ainda mais atenção: a forma como a Noruega administrou a riqueza obtida com a exploração de petróleo ao longo das últimas décadas.
Em 1969, grandes reservas de petróleo foram descobertas no Mar do Norte, abrindo caminho para uma nova fase da economia norueguesa.
Em vez de utilizar rapidamente toda a receita gerada por essa atividade, o país adotou uma estratégia voltada para o futuro. A proposta era transformar uma fonte de riqueza limitada em um patrimônio capaz de beneficiar também as próximas gerações.
Com esse objetivo, foi criado o fundo soberano da Noruega, considerado atualmente o maior do mundo. Parte dos recursos obtidos com a exploração de petróleo passou a ser investida em ativos espalhados por diversos mercados internacionais.
Enquanto isso, o governo utiliza apenas uma parcela dos rendimentos gerados pelos investimentos, preservando o capital principal para que ele continue crescendo ao longo do tempo.
Atualmente, o fundo possui participação em aproximadamente 9 mil empresas distribuídas em vários países. Estima-se que detenha cerca de 1,5% de todas as ações listadas nas bolsas de valores do planeta.
O patrimônio acumulado também chama atenção por representar um valor superior a US$ 400 mil para cada cidadão norueguês, segundo estimativas amplamente divulgadas.
Especialistas apontam que esse desempenho está relacionado a uma política baseada em planejamento de longo prazo, regras fiscais bem definidas e transparência na administração dos recursos públicos. O modelo busca reduzir riscos, evitar gastos excessivos em períodos de alta arrecadação e preservar parte da riqueza para o futuro.
O exemplo da Noruega também costuma ser comparado ao de outros países produtores de petróleo. A Venezuela, que possui uma das maiores reservas do mundo, enfrentou uma trajetória diferente, marcada por dificuldades econômicas, inflação elevada e sucessivas crises ao longo dos anos.
Esses casos são frequentemente utilizados para demonstrar que a existência de recursos naturais, por si só, não determina o desenvolvimento econômico de um país.
A forma como essas riquezas são administradas, investidas e distribuídas ao longo do tempo pode produzir resultados bastante distintos. Trata-se de um tema que ultrapassa o esporte e costuma fazer parte dos debates sobre economia, planejamento e gestão pública em diferentes partes do mundo.