Homens estão com medo de abordar mulheres e serem chamados de assediadores: ‘Hoje em dia, não pode nem olhar que já é assédio’

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O debate sobre os limites entre flerte e assédio voltou ao centro das redes sociais após um vídeo do influenciador digital Yuri Viana ganhar grande repercussão.

Na gravação, ele aparece ao lado de uma atriz em uma situação encenada de encontro. Durante a conversa, a personagem feminina demonstra esperar um beijo, enquanto o homem hesita antes de qualquer aproximação.

A cena foi suficiente para provocar milhares de comentários e reacender uma discussão que já vem sendo bastante presente na internet.

Muitos homens afirmaram sentir medo de interpretar sinais de maneira errada e acabarem acusados de assédio.

Expressões como “hoje tudo virou assédio” apareceram repetidamente nas publicações relacionadas ao vídeo. O assunto rapidamente dividiu opiniões entre usuários que defendiam mais cuidado nas relações e outros que acreditam existir exagero em certas interpretações.

Diante da repercussão, Yuri decidiu aproveitar a visibilidade do tema para produzir conteúdos educativos e descontraídos voltados aos seus mais de 343 mil seguidores no Instagram.

Em seus vídeos, ele procura explicar a diferença entre uma aproximação respeitosa e atitudes invasivas. Segundo o influenciador, o principal ponto é compreender e aceitar os limites da outra pessoa sem insistência ou pressão.

Yuri afirma que seu objetivo não é gerar medo nas interações, mas incentivar comportamentos mais conscientes.

Ele também destacou que vários seguidores relataram ter passado a entender melhor como pequenas atitudes podem causar desconforto quando não existe reciprocidade. Para ele, ouvir um “não” faz parte de qualquer tentativa de aproximação e precisa ser encarado com naturalidade.

A advogada Marina Ganzarolli, presidente da organização Me Too Brasil, explicou que a ideia de que “tudo é assédio” não surgiu agora, mas ganhou ainda mais força por causa das redes sociais.

Ela avalia que parte da resistência acontece pela dificuldade de adaptação às mudanças nas relações entre homens e mulheres.

Marina também defende que o assédio está ligado a relações de poder e controle, e não apenas ao ato de paquerar. Segundo ela, ainda faltam referências de masculinidade baseadas em respeito, diálogo e compreensão dos limites. A discussão, impulsionada pelo vídeo viral, acabou abrindo espaço para reflexões sobre convivência, consentimento e comunicação nas relações atuais.

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