O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou recentemente que o maior movimento de transferência de empresas brasileiras para o Paraguai ocorreu durante os governos de Jair Bolsonaro e na gestão de Tarcísio de Freitas em São Paulo.
Segundo o ministro, a saída de indústrias para o país vizinho teria se intensificado nesse período, provocando impactos sobre a atividade econômica e a geração de empregos no Brasil.
As declarações foram feitas durante uma entrevista em que Haddad abordou temas relacionados à competitividade da indústria nacional, ao ambiente de negócios e aos desafios enfrentados por empresas brasileiras diante da concorrência internacional.
O ministro associou a migração de companhias ao cenário econômico dos anos anteriores e afirmou que o fenômeno ganhou força naquele período.
Entretanto, dados divulgados por entidades empresariais e órgãos paraguaios apresentam um panorama diferente. Informações da Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai e registros oficiais do governo do país indicam que o maior número de empresas brasileiras instaladas por meio do regime de maquila ocorreu durante os anos correspondentes aos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
O sistema de maquila é um modelo de incentivo que permite a empresas estrangeiras produzirem em território paraguaio com benefícios tributários específicos.
A política foi criada para atrair investimentos, estimular a geração de empregos e ampliar a atividade industrial do país. Ao longo dos anos, diversas companhias brasileiras passaram a utilizar esse mecanismo para transferir parte de suas operações ou instalar novas unidades de produção.
Os registros apontam que, naquele período, dezenas de empresas aderiram ao programa e estabeleceram atividades no Paraguai. Posteriormente, os números passaram por oscilações, acompanhando mudanças econômicas tanto no Brasil quanto no país vizinho.
Dados mais recentes também mostram que o interesse pelo regime de maquila continuou presente nos últimos anos. Relatórios divulgados por instituições ligadas ao setor empresarial indicam crescimento no número de empresas que buscaram informações ou iniciaram operações no Paraguai durante 2023 e 2024.
O tema segue sendo debatido por representantes do setor produtivo, economistas e autoridades públicas, especialmente em discussões relacionadas à competitividade industrial, carga tributária, custos operacionais e estratégias para atração e manutenção de investimentos no Brasil.