O Paraguai vem chamando atenção no cenário internacional após divulgar dados que mostram uma queda histórica nos índices de pobreza, resultado que reacende o debate sobre modelos econômicos e escolhas políticas na América Latina.
De acordo com o relatório mais recente do Instituto Nacional de Estatística, o país registrou o maior recuo já visto na série histórica quando o assunto é pobreza monetária.
Em apenas um ano, a taxa caiu de 19,6% para 16%, uma redução de 3,6 pontos percentuais, número considerado expressivo até mesmo por analistas mais cautelosos.
Quando se olha para a pobreza extrema, os dados também surpreendem: o índice passou de 3,7% para 2,4%, mostrando que a melhora atingiu principalmente quem estava em situação mais crítica.
Na prática, isso significa que 213.164 pessoas deixaram a condição de pobreza em um intervalo de apenas doze meses.
O total de paraguaios nessa situação caiu de 1.198.290 para 985.126, uma redução significativa que impacta diretamente a vida de milhares de famílias.
O atual presidente, Santiago Peña, atribuiu esse avanço às medidas adotadas desde o início de sua gestão, destacando o foco no crescimento econômico e geração de empregos.
“Na campanha, fui muito claro, de trabalharia para melhorar a qualidade de vida de todos os paraguaios, especialmente dos mais vulneráveis. E, desde o primeiro dia, tomamos medidas concretas para retomar o crescimento, gerar emprego e ampliar a proteção social”, afirmou.
Os números mostram que a queda da pobreza não ficou restrita a uma única região do país, o que reforça a consistência dos resultados apresentados.
Nas áreas urbanas, o índice caiu de 16,9% para 13,6%, enquanto nas regiões rurais houve uma redução ainda mais acentuada, de 26,3% para 22,1%.
Esse movimento indica que o crescimento econômico vem alcançando tanto as cidades quanto o campo, algo essencial para um desenvolvimento equilibrado.
Segundo o diretor nacional de Estatísticas, Iván Ojeda, a melhora foi generalizada em todo o território.
“Em todos os departamentos da República, assim como na capital, observamos uma redução da pobreza”, declarou.
Além do crescimento econômico, programas sociais como Tekoporã, Hambre Cero e Adultos Mayores também tiveram papel importante nesse resultado.
De acordo com o próprio instituto, essas iniciativas evitaram que cerca de 239 mil pessoas caíssem abaixo da linha de pobreza.
Ou seja, sem essas ações, a taxa poderia ter chegado a 19,9%, o que mostra que o apoio social, quando bem direcionado, pode complementar políticas econômicas.
O Paraguai vive sob governos de orientação conservadora e liberal na economia desde 1948, com exceção de um breve período entre 2008 e 2013.
Esse modelo, baseado em responsabilidade fiscal, incentivo ao setor produtivo e menor intervenção estatal, volta a ser colocado como ponto de análise diante dos resultados atuais.
Desde que Santiago Peña assumiu, em agosto de 2023, cerca de 270 mil paraguaios deixaram a pobreza e mais de 91 mil superaram a extrema pobreza.
Os números colocam o país entre aqueles com menor taxa de pobreza da América Latina, o que desperta interesse de investidores e observadores internacionais.
Para quem acompanha o cenário regional, os dados reforçam a importância de políticas que incentivem o trabalho, o empreendedorismo e a estabilidade econômica.
Em um momento em que muitos países enfrentam dificuldades, o caso paraguaio passa a ser visto como exemplo de que crescimento e redução da pobreza podem caminhar juntos.
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