A prática conhecida como okozukai é um modelo tradicional de organização financeira presente em alguns lares do Japão, no qual o salário do marido é geralmente repassado integralmente à esposa, que assume a administração das despesas familiares.
Nesse sistema, a esposa costuma ser responsável pelo controle do orçamento doméstico, incluindo pagamentos de contas, planejamento de poupança, investimentos de longo prazo e despesas relacionadas à educação dos filhos.
Após a gestão dessas responsabilidades, o marido recebe uma quantia mensal fixa destinada a gastos pessoais, como alimentação fora de casa, hobbies e atividades de lazer.
Dados econômicos mostram variações no valor dessa mesada ao longo do tempo. Em 2014, durante o período de ajustes econômicos associados ao Abenomics, a média registrada ficou em torno de 386 dólares mensais, o menor nível observado desde o início da série histórica em 1982, segundo levantamento do Shinsei Bank.
Em pesquisas mais recentes, como a realizada em 2026 pela Meiji Yasuda Life Insurance, o valor médio identificado foi de aproximadamente 36.835 ienes, equivalente a cerca de 233 dólares.
O estudo também apontou que uma parcela significativa dos lares japoneses adota estruturas financeiras em que a esposa exerce o papel principal na gestão do orçamento doméstico.
De acordo com os dados apresentados, 51,6% dos lares pesquisados são financeiramente administrados pelas esposas, enquanto 12,8% são chefiados pelos maridos. Esses números refletem diferentes arranjos familiares dentro da sociedade japonesa contemporânea.
No contexto cultural, o sistema é frequentemente descrito como uma forma de divisão de responsabilidades financeiras dentro do núcleo familiar.
A prática é associada à organização conjunta dos recursos do lar, com papéis definidos entre os membros da família.
O okozukai permanece como um dos modelos observados em estudos sobre economia doméstica no Japão, sendo citado em pesquisas que analisam hábitos de consumo, poupança e estrutura familiar ao longo das últimas décadas.