O ex-governador de Romeu Zema e pré-candidato à Presidência da República pelo partido Novo voltou a provocar debates ao defender mudanças no programa Bolsa Família.
Durante declarações recentes, Zema afirmou que pretende reformular as regras do benefício social para impedir que pessoas aptas ao trabalho permaneçam dependentes do auxílio sem buscar emprego formal.
Segundo ele, o objetivo seria estimular a inserção no mercado de trabalho e combater o que classificou como uma cultura de dependência do Estado.
A proposta apresentada prevê que beneficiários do Bolsa Família que recusarem oportunidades de emprego possam perder o direito ao auxílio. De acordo com Zema, o cidadão teria direito de rejeitar uma primeira oferta, mas, ao recusar uma segunda vaga considerada compatível, o benefício seria cancelado.
A fiscalização ficaria sob responsabilidade do Sistema Nacional de Emprego (Sine) e das secretarias municipais de assistência social, que fariam o acompanhamento das situações.
O político também sugeriu que homens solteiros e saudáveis inscritos no programa possam realizar serviços públicos em seus municípios como forma de contrapartida pelo recebimento do auxílio.
A medida seria aplicada em cidades onde existam vagas disponíveis e demanda por mão de obra. Para Zema, há casos de pessoas que preferem permanecer recebendo ajuda governamental em vez de buscar qualificação profissional ou emprego com carteira assinada.
As declarações reacenderam discussões sobre os critérios do Bolsa Família e a fiscalização do programa social.
Em 2024, revisões cadastrais feitas pelo governo federal resultaram na suspensão ou cancelamento de cerca de 3,7 milhões de benefícios após identificação de irregularidades, incluindo renda acima do permitido e registros duplicados. O pente-fino gerou uma economia estimada em R$ 9 bilhões aos cofres públicos.
Dados oficiais apontam que, em outubro de 2025, o Bolsa Família atendia aproximadamente 18,9 milhões de famílias brasileiras, alcançando cerca de 49,4 milhões de pessoas.
No ano anterior, os gastos com o programa chegaram ao valor recorde de R$ 168,2 bilhões, consolidando-o como a maior despesa social da União.