Vice-prefeita desviou R$ 41 mil do fundo de saúde para pagar mãe de santo para adoecer esposa do amante

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Os bastidores da política no interior paulista foram sacudidos por um escândalo que mistura desvio de dinheiro público, disputas amorosas e rituais espirituais encomendados pela internet. O Ministério Público de São Paulo apresentou uma denúncia formal contra Juliana Maria Teixeira da Costa, que ocupa o cargo de vice-prefeita da pequena cidade de Ribeira. A Promotoria acusa a gestora pública pelos crimes graves de peculato, que é quando um funcionário usa o cargo para desviar bens públicos, e também por associação criminosa. A acusação aponta que uma quantia considerável de recursos que deveriam cuidar da saúde da população carente acabou parando nas mãos de uma líder religiosa para resolver problemas de coração da política.

De acordo com as investigações detalhadas pelos promotores de Justiça, o esquema envolveu o desvio exato de quarenta e um mil e duzentos reais diretamente do Fundo Municipal de Saúde da prefeitura. Esse montante, que estava carimbado para a compra de medicamentos, exames ou melhorias nos postos de atendimento da cidade, foi parar na conta de uma mãe de santo para bancar os custos de um trabalho místico de alta complexidade. O caso começou a ganhar contornos de enredo de novela quando os depoimentos das testemunhas envolvidas no negócio começaram a ser colhidos pelas autoridades policiais da região.

A líder religiosa contratada para realizar os trabalhos espirituais foi identificada pelo nome de Samantha, e foi ela quem detalhou o cardápio de pedidos feitos pela cliente ilustre nas sessões secretas. Segundo o relato que consta nos documentos oficiais da denúncia, o serviço encomendado pela vice-prefeita tinha objetivos bastante específicos e agressivos no campo sentimental. A encomenda incluía um forte ritual de dominação amorosa direcionado ao homem que era seu amante, o afastamento definitivo de uma mulher que funcionava como rival na disputa pelo coração dele e, de forma ainda mais pesada, o adoecimento induzido da atual esposa desse parceiro.

O primeiro contato entre a política do interior e a líder espiritual não aconteceu em um terreiro físico ou por recomendação de amigos, mas sim de forma moderna e descompromissada por meio das redes sociais da internet. Juliana teria navegado pelas plataformas digitais em busca de soluções rápidas para a sua angústia amorosa e acabou encontrando o perfil de Samantha, dando início a uma longa troca de mensagens de texto e áudios. Após explicadas todas as exigências e as barreiras que precisavam ser derrubadas para unir o casal, o valor total do acordo místico foi fixado na impressionante marca de trezentos e oitenta mil reais.

Como o valor total cobrado pelo trabalho era extremamente elevado e superava as capacidades financeiras imediatas da contratante, a vice-prefeita teria começado a arquitetar um plano criminoso de engenharia financeira dentro da própria prefeitura para quitar as parcelas da dívida. Para conseguir liberar a primeira parte do pagamento sem levantar suspeitas imediatas dos órgãos de fiscalização e dos contadores municipais, Juliana teria apelado para a falsificação de documentos internos. O plano consistia em usar a máquina pública para pagar por um serviço que nunca existiu em benefício dos moradores de Ribeira.

A estratégia utilizada pela acusada contou com a emissão e o uso de uma nota fiscal totalmente fria e falsa emitida em nome de uma empresa que já prestava serviços legítimos de assessoria ou manutenção para a administração municipal. Com o documento falsificado em mãos simulando uma entrega de materiais ou prestação de serviços para a área da saúde, o dinheiro público foi liberado dos cofres do município com facilidade e acabou sendo desviado para a conta indicada pela religiosa. A manobra parecia ter dado certo e o segredo estava guardado entre as paredes dos gabinetes e dos altares, até que a falta de pagamento do restante do combinado estragou os planos.

Toda essa história oculta só veio a público de forma barulhenta e escandalosa porque a própria mãe de santo decidiu colocar a boca no trombone e expor toda a situação em suas redes sociais pessoais para cobrar a dívida em aberto.Samantha alegou que estava tomando calote da cliente e publicou os comprovantes e as conversas para constranger a devedora, sem saber inicialmente que a mulher do outro lado da tela ocupava um cargo público tão importante. Foi nesse momento de exposição pública e compartilhamento de prints que internautas e adversários políticos identificaram a verdadeira função administrativa da contratante dos rituais.

A repercussão da postagem da religiosa foi imediata e gerou uma onda de revolta e indignação generalizada entre os moradores da pacata cidade de Ribeira, que possui pouco mais de três mil habitantes e sofre com a falta de recursos básicos. A exposição forçou a abertura de investigações criminais urgentes por parte da Polícia Civil e do Ministério Público, que cruzaram os dados bancários apresentados na internet com os empenhos e saídas de dinheiro do Fundo Municipal de Saúde, confirmando que a assinatura da vice-prefeita estava carimbada na liberação dos valores suspeitos.

Diante da gravidade das provas apresentadas e do risco de destruição de documentos que pudessem ajudar na elucidação completa do caso, o Poder Judiciário determinou o afastamento imediato de Juliana Maria Teixeira da Costa de suas funções públicas na prefeitura. A decisão de tirá-la do cargo foi tomada ainda no mês de agosto de 2024 e permanece em vigor até os dias de hoje, impedindo que ela suba as escadas do palácio municipal ou assine qualquer tipo de decreto enquanto responde ao processo judicial. O gabinete da vice-presidência continua fechado e sem utilidade prática.

Os advogados de defesa da política afastada correm contra o tempo para tentar anular as provas contidas nas redes sociais, alegando que as mensagens foram obtidas de forma ilegal e que tudo não passa de uma armação política de adversários para queimar a imagem da cliente. A estratégia da defesa foca em tentar desvincular a emissão da nota fiscal falsa das ordens diretas de Juliana, argumentando que o erro administrativo partiu de funcionários do setor de finanças e que ela não tinha conhecimento da origem do dinheiro usado para pagar os seus gastos de foro íntimo.

Por outro lado, os promotores de Justiça que assinam a denúncia estão convictos de que o esquema de corrupção está totalmente desenhado e comprovado pelas perícias técnicas feitas nos computadores da prefeitura e nas contas bancárias. O Ministério Público pede agora que, além da condenação criminal que pode render muitos anos de prisão em regime fechado, Juliana seja obrigada a devolver cada centavo desviado corrigido pela inflação e perca de forma definitiva os seus direitos políticos de disputar futuras eleições no país.

No final das contas, o caso bizarro e triste que parou a cidade de Ribeira deixa uma lição muito nítida e realista sobre a fragilidade dos mecanismos de controle do dinheiro do cidadão em pequenos municípios do Brasil. Ver a verba que deveria comprar remédios para o coração de idosos ou financiar o combustível de ambulâncias ser queimada em rituais de amarração amorosa escancara o nível de descolamento de certas lideranças com a realidade do povo. Enquanto o processo caminha lentamente pelas gavetas do Tribunal de Justiça, a população local aguarda por respostas definitivas e torce para que a justiça seja feita com o mesmo rigor para quem está no topo do poder.

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