Um pai levou a filha á UPA apenas por incômodo no nascimento de dentes, e ela faleceu após injeção: a médica fugiu

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O que deveria ter sido uma intervenção médica simples para aliviar um desconforto natural da primeira infância culminou em uma tragédia que mobilizou a opinião pública e as autoridades de segurança do Rio de Janeiro. A morte da pequena Aylla dos Santos, de apenas um ano e meio, ocorrida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) pediátrica do Cocotá, na Ilha do Governador, tornou-se o centro de uma investigação policial que apura negligência, erro médico e abandono de plantão. O caso, registrado em maio de 2026, transformou a dor de uma família em um clamor por justiça que expõe fragilidades graves no atendimento de urgência e emergência da Zona Norte da capital fluminense.

O contexto que levou a bebê até a unidade de saúde é o que mais causa consternação aos familiares e vizinhos. De acordo com o relato emocionado do pai da criança, Aylla apresentava dificuldades para se alimentar e um choro persistente devido ao nascimento dos primeiros dentes, um processo comum que gera inflamação e incômodo nas gengivas. Buscando apenas um auxílio profissional para aliviar a dor da filha e garantir que ela conseguisse se nutrir adequadamente, o pai decidiu levá-la à UPA do Cocotá, esperando receber uma orientação medicamentosa de rotina e retornar para o conforto do lar em pouco tempo.

No entanto, o protocolo de atendimento adotado pela equipe de plantão deu início a uma sequência de eventos fatais. Após a avaliação inicial, foi prescrita uma medicação que deveria ser administrada por via intravenosa. Segundo testemunhas e o depoimento do pai, assim que a substância foi injetada na veia da pequena Aylla, a reação do organismo foi imediata e devastadora. A bebê, que entrou na unidade apenas com um desconforto gengival, apresentou uma piora agressiva em seu quadro clínico, manifestando sinais de choque e insuficiência respiratória diante dos olhos desesperados da família.

A gravidade da reação obrigou a equipe médica a transferir a criança às pressas para a chamada “sala vermelha”, setor destinado aos casos de emergência máxima onde são realizados procedimentos de ressuscitação. Apesar dos esforços para reverter o quadro, Aylla não resistiu e o óbito foi confirmado poucos minutos após a aplicação do remédio. O choque da perda súbita foi rapidamente sucedido por um sentimento de revolta, quando a família percebeu o comportamento atípico e suspeito das profissionais que realizaram o procedimento inicial de medicação.

O pai da menina denunciou formalmente que, após a constatação da morte, a médica e a enfermeira responsáveis pelo atendimento direto demonstraram um nervosismo injustificado. Segundo o relato, ambas se recusaram a assinar o atestado de óbito ou fornecer explicações detalhadas sobre o que havia sido injetado no corpo da bebê. Em uma atitude descrita como covarde e estarrecedora, as profissionais teriam abandonado o posto de trabalho e fugido da unidade de saúde pela porta dos fundos, deixando para trás uma família destroçada e uma equipe técnica sem respostas.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro, através da delegacia local, agiu prontamente e instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da morte e a conduta das funcionárias. Agentes realizaram a apreensão do prontuário médico de Aylla e de todas as ampolas de medicamentos utilizadas no turno para perícia laboratorial. A principal linha de investigação busca determinar se houve erro na dosagem, troca de substâncias ou uma reação anafilática grave que não foi devidamente monitorada ou prevenida pela equipe de enfermagem e medicina.

As câmeras de segurança da UPA do Cocotá tornaram-se peças-chave no processo investigativo. Os investigadores estão analisando as imagens para confirmar a rota de fuga das profissionais e identificar se houve auxílio de terceiros na saída não autorizada da unidade. A direção da UPA emitiu uma nota preliminar informando que abriu uma sindicância interna para apurar os fatos e que colabora integralmente com a polícia, mas a pressão popular exige o afastamento imediato e a cassação dos registros profissionais das envolvidas caso a negligência seja comprovada.

O corpo da pequena Aylla foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização de exames toxicológicos e necropsia detalhada. O resultado desses laudos será fundamental para esclarecer se a causa da morte foi uma interação medicamentosa ou a administração de um fármaco inadequado para a idade e o peso da criança. Para os especialistas em direito médico, a fuga das profissionais após o evento adverso pode ser interpretada juridicamente como um indício de culpa, complicando significativamente a defesa das investigadas perante o Conselho Regional de Medicina (CREMERJ).

A tragédia na Ilha do Governador reacendeu o debate sobre a precariedade e o treinamento das equipes que atuam nas UPAs do Rio de Janeiro em maio de 2026. Moradores da região relataram em redes sociais que a unidade do Cocotá frequentemente sofre com a alta rotatividade de profissionais e a falta de insumos básicos. O caso de Aylla tornou-se um símbolo da vulnerabilidade das famílias que dependem do sistema público de saúde e que, ao buscarem alívio para dores simples, acabam enfrentando perdas irreversíveis devido a falhas operacionais sistêmicas.

Em meio ao luto, a família de Aylla iniciou uma mobilização nas redes sociais e em frente à unidade de saúde, pedindo que o caso não seja esquecido e que os nomes das responsáveis sejam divulgados. O pai, que carregava a filha nos braços na esperança de vê-la sorrir novamente sem a dor dos dentes, agora enfrenta o vazio de um quarto silencioso. “Eu levei minha filha para ser cuidada, não para ser morta”, declarou ele em uma das vigílias realizadas por vizinhos que se solidarizaram com a brutalidade do desfecho.

A Secretaria Municipal de Saúde manifestou pesar pela morte da criança e garantiu que o acolhimento à família está sendo realizado, embora os parentes neguem que tenham recebido qualquer suporte psicológico ou explicação técnica satisfatória até o momento. A repercussão do caso forçou uma revisão nos protocolos de administração de medicamentos injetáveis em crianças em todas as unidades da rede, buscando implementar camadas extras de conferência para evitar que erros humanos continuem ceifando vidas inocentes.

Por fim, o caso da pequena Aylla encerra-se, nesta etapa, como um dos episódios mais tristes da saúde pública fluminense nos últimos anos. O silêncio das profissionais fugitivas e o mistério sobre a injeção fatal permanecem como feridas abertas no coração da Ilha do Governador. Enquanto a perícia não conclui seu trabalho e os nomes das envolvidas não são levados ao tribunal, a sociedade observa atentamente, esperando que a justiça seja tão ágil quanto foi a tragédia que interrompeu o futuro de uma bebê de apenas um ano e meio.

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