Renato Teixeira critica sertanejo atual: “Só falam de encher a cara”

Date:

O universo da música popular brasileira e as profundas transformações culturais que moldam o cenário fonográfico nacional ganharam um capítulo repleto de reflexões sinceras, críticas contundentes e muita nostalgia nas últimas horas. Um dos maiores e mais respeitados nomes da nossa música caipira tradicional resolveu quebrar o silêncio e expor a sua insatisfação com os rumos que o gênero sertanejo tomou no mercado de massa atual. Aos oitenta e um anos de idade, o cantor e compositor Renato Teixeira botou a boca no trombone para defender um resgate urgente da sensibilidade e da tradição poética que sempre foram as marcas registradas do estilo de bastidores.

A declaração marcante e cheia de personalidade foi dada durante uma entrevista exclusiva concedida ao jornalista Marcos Bulques na cidade de Caçapava, localizada no aconchegante interior do estado de São Paulo. Ao ser convidado a avaliar as intensas transformações pelas quais a música sertaneja passou ao longo das últimas décadas, o veterano artista não usou panos quentes e deixou claro de forma muito direta e de fácil entendimento que a mudança não foi superficial, mas sim uma ruptura profunda e drástica com as raízes culturais do nosso povo.

Para Renato Teixeira, o descontentamento com o cenário atual não vai ficar restrito apenas aos desabafos verbais diante dos microfones da imprensa, já que ele planeja agir de forma prática para tentar mudar essa realidade de bastidores. O compositor revelou que já está colocando as mãos na massa no desenvolvimento de um projeto cultural inédito inteiramente voltado para valorizar os violeiros brasileiros. A ideia central dessa iniciativa é unir forças com músicos talentosos que mantêm o amor pelo instrumento vivo e oferecer a eles uma nova safra de composições de alta qualidade artística.

A mecânica desse novo trabalho de bastidores promete resgatar a forma clássica e bonita de se fazer arte no cotidiano do interior do país. O veterano cantor explicou que está fazendo uma varredura em seus arquivos pessoais e convidando todos os instrumentistas maravilhosos que conhece para uma parceria criativa muito rica. Renato fica responsável por escrever as letras poéticas, profundas e cheias de histórias da terra, entregando esses textos refinados nas mãos dos violeiros para que eles possam colocar a sua sensibilidade na criação das melodias e dos arranjos.

Essa movimentação artística surge como uma resposta direta e corajosa de Renato Teixeira contra o esvaziamento temático que, na sua visão crítica, passou a dominar de forma quase absoluta as produções sertanejas que tocam exaustivamente nas rádios e nas plataformas digitais da internet. O músico argumenta que o mercado atual acabou deixando de lado as crônicas do campo, o respeito pela natureza e as metáforas bonitas sobre a vida para focar em narrativas repetitivas que apelam apenas para o consumo rápido e o entretenimento de balada.

Ao detalhar a sua insatisfação de bastidores de forma bastante descontraída e bem-humorada com o jornalista, o compositor utilizou uma expressão curiosa que rapidamente viralizou e virou motivo de conversas calorosas entre os internautas na internet. O artista afirmou sem papas na língua que o termo correto para definir o objetivo principal do seu novo projeto com os violeiros é a palavra “descornalizar” o gênero musical, fazendo uma piada ácida com a quantidade excessiva de canções atuais que focam em tramas de traição amorosa no cotidiano das letras.

Na visão de Renato, as composições que dominam o chamado sertanejo universitário contemporâneo ficaram excessivamente presas a uma fórmula comercial desgastada, que gira quase sempre em torno de personagens que sofrem por infidelidade, buscam consolo no consumo exagerado de bebidas alcoólicas e passam as noites em festas tentando esquecer os problemas amorosos. Essa temática repetitiva da “dor de corno” e do “encher a cara” acabou gerando um cansaço estético em quem valoriza a riqueza das histórias que o interior do Brasil tem para contar.

O grande nó da questão apontado pelo criador do clássico “Romaria” reside no fato de que a poética sertaneja, que historicamente sempre foi considerada uma joia magnífica e talvez a maior virtude cultural desse estilo musical, acabou sofrendo um processo de banalização completa nas mãos da indústria do entretenimento. No passado, os compositores utilizavam a música caipira como uma ferramenta para descrever o cotidiano do homem simples, a saudade de casa, a religiosidade e as belezas da vida rural com uma riqueza de vocabulário e uma delicadeza que emocionavam gerações inteiras de famílias.

Os historiadores da arte e os pesquisadores da MPB explicam que essa crítica feita por Renato Teixeira toca em um ponto fundamental sobre como o mercado da música muitas vezes prioriza o lucro rápido em detrimento da preservação da identidade cultural de bastidores de uma nação. A transição da moda de viola tradicional para o pop sertanejo de massa transformou o ritmo em uma potência financeira bilionária, mas cobrou um preço muito alto na perda daquela poesia caipira genuína que narrava a alma do Brasil profundo.

A repercussão da entrevista do veterano de oitenta e um anos tomou conta das caixas de comentários das redes sociais ao longo de toda a semana, dividindo a opinião dos apaixonados por música de todas as idades nas plataformas digitais. De um lado, uma imensa legião de torcedores e ouvintes da velha guarda aplaudiu de pé a coragem de Renato, concordando que as letras atuais perderam a graça e a profundidade e demonstrando muita ansiedade para ouvir o novo projeto com as violas de bastidores.

Por outro lado, alguns defensores das vertentes mais modernas do sertanejo e jovens internautas ponderaram que a música precisa evoluir e acompanhar os hábitos e as baladas da juventude urbana atual, argumentando que cantar sobre o cotidiano das festas e dos aplicativos de namoro é apenas um reflexo natural dos tempos modernos. Para esse público mais jovem, a sofrência e o desapego são sentimentos reais que geram identificação imediata e fazem as pistas de dança ferverem de norte a sul do território nacional no seu dia a dia de lazer.

No final das contas, o desfecho sincero, barulhento e bastante realista dessa provocação feita por Renato Teixeira deixa uma lição muito nítida e de fácil entendimento sobre a importância de mantermos vivas as nossas tradições poéticas e artísticas diante do avanço avassalador das fórmulas comerciais de bastidores. Entender que a música sertaneja possui um passado glorioso e cheio de poesia que merece ser respeitado e reescrito com dignidade pelas novas gerações continua sendo o maior aprendizado que esse mestre da viola nos transmite no cotidiano. A sociedade acompanha a produção desse novo álbum, esperando que as violas voltem a pontear histórias bonitas e exemplares nos corações de todos os brasileiros.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Compartilhe

Inscreva-se

Popular

Mais da categoria:

Mesmo com uma grave condição cerebral, noivo arrisca tudo para ficar em pé e dançar com a esposa no dia do casamento

Durante a cerimônia de casamento, um momento chamou atenção...

Em vez de enxoval, homem presenteia companheira grávida com materiais de obra para realizar o sonho da casa própria

Durante a gravidez, muitos casais costumam preparar a chegada...

Jovem que pesava 150 kg enfrenta críticas, recebe apoio do namorado por 5 anos e perde 84 quilos

No início do relacionamento, uma jovem enfrentava uma fase...