O governo de Nayib Bukele tem chamado atenção internacional por ampliar programas que utilizam presos em obras e serviços públicos em El Salvador. Nos últimos anos, detentos passaram a atuar em atividades como construção e recuperação de estradas, limpeza urbana, reformas de escolas e manutenção de espaços públicos, sempre sob supervisão das autoridades penitenciárias do país.
As imagens dos trabalhos realizados pelos presos começaram a circular nas redes sociais e também ganharam destaque em veículos de comunicação internacionais.
Em diversas ocasiões, grupos de detentos foram vistos trabalhando em vias públicas, pintando prédios, realizando serviços de manutenção e participando de projetos de infraestrutura promovidos pelo governo salvadorenho.
Segundo as autoridades locais, a proposta faz parte de uma política voltada à disciplina dentro do sistema prisional e à redução de custos relacionados à manutenção das penitenciárias.
O governo também afirma que os programas podem colaborar com processos de reintegração social, oferecendo aos presos atividades ligadas ao trabalho e à organização de serviços públicos.
A iniciativa ocorre em meio às medidas de segurança implementadas pela gestão Bukele nos últimos anos. O país registrou queda nos índices de homicídio e violência, resultado frequentemente citado pelo governo ao defender a política de combate às gangues criminosas. As ações ampliaram a popularidade do presidente em diferentes setores da sociedade salvadorenha e também passaram a ser observadas por autoridades de outros países da América Latina.
Por outro lado, organizações internacionais de direitos humanos continuam demonstrando preocupação com o modelo adotado em El Salvador. Entidades questionam as condições do sistema prisional, as detenções realizadas durante o estado de exceção e possíveis violações de garantias individuais durante as operações de combate ao crime organizado.
O debate sobre as políticas de segurança salvadorenhas segue repercutindo em diferentes partes do mundo. Enquanto apoiadores destacam os resultados apresentados pelo governo no combate à criminalidade, críticos apontam discussões relacionadas aos limites das medidas adotadas e aos impactos sobre os direitos civis no país.