A Arquidiocese de São Paulo confirmou o recebimento de uma denúncia envolvendo o padre Júlio Lancellotti, conhecido nacionalmente pelo trabalho social realizado com pessoas em situação de vulnerabilidade.
A representação foi encaminhada pelo vereador Thomaz Henrique (PL), de São José dos Campos, que acusa o sacerdote de utilizar recursos da Paróquia São Miguel Arcanjo, localizada no bairro da Mooca, na capital paulista, para custear despesas relacionadas a uma ação judicial pessoal.
Segundo a denúncia apresentada pelo parlamentar, duas guias de pagamento do Documento de Arrecadação de Receitas Estaduais (Dare) teriam sido quitadas com dinheiro vinculado à conta da igreja. Uma das cobranças, no valor de R$ 450, teria sido paga em fevereiro de 2024. A segunda, no valor de R$ 1.200, foi registrada em novembro do mesmo ano.
Os comprovantes bancários referentes aos pagamentos foram anexados à representação enviada à Cúria Metropolitana de São Paulo.
Em nota oficial, a Arquidiocese informou que recebeu o documento e que o conteúdo será avaliado pelas instâncias responsáveis da instituição religiosa.
De acordo com o vereador, os valores teriam sido usados em um processo movido por Júlio Lancellotti contra a vereadora Janaina Ballaris, do União Brasil.
A ação judicial foi apresentada após declarações feitas pela parlamentar em uma entrevista concedida em 2024, quando ela associou o padre ao que chamou de “assistencialismo midiático”.
Na ocasião, Lancellotti pediu indenização por danos morais no valor de R$ 30 mil. O caso foi analisado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, que decidiu rejeitar o pedido apresentado pelo sacerdote.
Procurado por veículos de imprensa para comentar o assunto, o padre afirmou não ter conhecimento sobre os fatos mencionados na denúncia.
Até o momento, não houve divulgação de detalhes sobre eventual abertura de investigação interna por parte da Arquidiocese.
O episódio repercutiu nas redes sociais e no meio político, especialmente por envolver uma figura pública bastante conhecida pela atuação social junto à população em situação de rua. A expectativa agora é pela análise da representação canônica e pelo posicionamento das autoridades responsáveis sobre o caso.