O futebol brasileiro é conhecido em todos os cantos do planeta por sua história repleta de títulos, craques inesquecíveis e uma soberania que costuma colocar medo em quase todos os adversários que cruzam o seu caminho. No entanto, dentro desse roteiro de glórias e vitórias acachapantes, existe um pequeno e curioso tabu que desafia a lógica dos torcedores mais fanáticos e que pouca gente conhece de cabeça. A Seleção Brasileira terá pela frente nos próximos dias um adversário específico contra o qual ainda busca alcançar a sua primeira vitória em toda a história dos confrontos oficiais masculinos, criando um clima de revanche bem interessante.
Por mais incrível e inacreditável que possa parecer para quem está acostumado a ver o Brasil vencer as grandes potências mundiais, a equipe canarinho nunca conseguiu derrotar a seleção da Noruega. Esse retrospecto incômodo foi construído ao longo de quatro confrontos realizados entre os dois países nas últimas décadas, deixando um gosto amargo de que os nórdicos de alguma forma encontraram a fórmula perfeita para travar o jogo dos brasileiros. O retrospecto negativo é sempre relembrado pelos analistas esportivos toda vez que as duas equipes ensaiam um novo encontro nos gramados.
A história desse tabu que já dura bastante tempo começou a ser desenhada no final da década de oitenta, mais precisamente no ano de 1988, quando as duas seleções se enfrentaram pela primeira vez em um jogo amistoso. Naquela ocasião, os jogadores brasileiros entraram em campo como amplos favoritos, mas acabaram esbarrando na forte marcação e na disciplina tática dos noruegueses, o que resultou em um empate morno pelo placar de 1 a 1. Aquele resultado inicial foi encarado apenas como um tropeço normal de início de ciclo de preparação, mas era só o começo da maldição.
Muitos anos mais tarde, já na temporada de 2006, o Brasil teve uma nova oportunidade de tentar quebrar essa escrita incômoda ao agendar outro amistoso preparatório contra a equipe da Noruega. O time brasileiro contava com grandes estrelas do futebol internacional em seu elenco e tentou pressionar o adversário desde os minutos iniciais, mas os nórdicos novamente demonstraram muita resiliência defensiva e o placar final acabou se repetindo, terminando em um novo empate por 1 a 1 que deixou os torcedores bastante frustrados.
Além desses dois empates que mostraram o equilíbrio das partidas, a Seleção Brasileira também carrega em seu histórico de confrontos diretos duas derrotas bastante dolorosas para os noruegueses, o que agrava ainda mais a situação do tabu. A primeira dessas quedas aconteceu no ano de 1997, durante um amistoso internacional que servia de preparação para os grandes torneios da época. Naquele dia, o sistema defensivo do Brasil bateu cabeça e a Noruega aproveitou todas as chances para aplicar uma vitória surpreendente pelo placar de 4 a 2.
Porém, o capítulo mais marcante, tenso e doloroso dessa rivalidade unilateral aconteceu de fato no ano seguinte, durante a disputa da Copa do Mundo de 1998, realizada nos estádios da França. Na fase de grupos daquele mundial, o Brasil já estava classificado e entrou em campo com uma postura um pouco mais relaxada, enquanto a Noruega precisava do resultado de qualquer maneira para avançar na competição. O time europeu jogou a vida e conseguiu uma virada histórica nos minutos finais, vencendo o Brasil por 2 a 1 com direito a um pênalti polêmico.
Essa derrota na Copa do Mundo da França ficou engasgada na garganta de uma geração inteira de torcedores e transformou a Noruega em uma espécie de assombração folclórica para os estatísticos do esporte nacional. É muito raro encontrar uma seleção no mundo que possa estufar o peito e dizer que tem uma vantagem histórica e invicta contra o Brasil, e os noruegueses se orgulham bastante de ostentar essa marca em seus museus de futebol, usando esses vídeos antigos para motivar os novos atletas da base.
O peso desse histórico totalmente desfavorável aumenta consideravelmente a expectativa do público e a pressão sobre a comissão técnica para o próximo duelo agendado entre as duas seleções. Os jogadores atuais do elenco brasileiro sabem que, além de buscar o resultado positivo normal para a tabela do campeonato, eles carregarão a responsabilidade de colocar um ponto final definitivo nessa história de jejum que já dura quase quarenta anos desde o primeiro jogo lá atrás.
Os comentaristas esportivos de televisão explicam que o estilo de jogo da Noruega, historicamente baseado na força física, no jogo aéreo defensivo e em contra-ataques rápidos pelas pontas, sempre foi um verdadeiro pesadelo para as características técnicas tradicionais do futebol brasileiro. O Brasil costuma render melhor contra equipes que propõem o jogo e deixam espaços abertos no meio de campo, sofrendo bastante quando precisa furar retrancas muito compactas e organizadas como as que os times europeus do norte costumam montar.
A preparação dos atletas brasileiros para esse próximo compromisso deve envolver uma análise detalhada em vídeo desses erros do passado e um foco redobrado nos treinamentos de jogadas de bola parada, que são a principal arma do adversário. Os treinadores querem garantir que o time entre concentrado desde o primeiro minuto de jogo para evitar dar bobeira e acabar sofrendo um gol de escanteio ou falta lateral, o que tornaria a missão de virar o placar ainda mais complicada diante de uma defesa fechada.
Nas redes sociais e nos fóruns na internet, a torcida brasileira já começou a debater o jogo com bom humor, criando memes sobre o fantasma norueguês e cobrando que os atacantes resolvam a partida com goleada para apagar de vez as lembranças de 1998. Os torcedores mais jovens acham graça do fato de o Brasil ser pentacampeão mundial e não conseguir vencer um país que raramente se classifica para os torneios mais importantes da Europa, mostrando como o esporte é maravilhoso justamente por sua imprevisibilidade.
No final das contas, o desfecho desse próximo reencontro entre Brasil e Noruega deixará uma lição muito nítida, divertida e realista sobre como a tradição e as camisas pesadas nem sempre são suficientes para garantir a vitória antes de a bola rolar no gramado. Cada partida possui a sua própria história e os tabus existem justamente para serem quebrados pelas equipes que demonstram mais competência e controle emocional nos noventa minutos de disputa. A sociedade acompanha a contagem regressiva para o jogo esperando que a seleção apresente um belo futebol e consiga, finalmente, essa vitória inédita de forma exemplar.