Mulheres vítimas de violência doméstica em Minas Gerais estão sendo atendidas por um programa de cirurgias plásticas reparadoras gratuitas que busca oferecer suporte médico e reconstrução física em casos de agressões.
A iniciativa, chamada “Recomeçar”, é desenvolvida pela Fundação Ideah, braço social da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, em parceria com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
No último sábado, seis mulheres de diferentes regiões do estado passaram por avaliações médicas na Gerência de Saúde do Trabalho do TJMG, localizada no Centro de Belo Horizonte.
Após essa etapa inicial, a previsão é de que os procedimentos cirúrgicos sejam realizados em um prazo de até 45 dias, conforme a indicação clínica de cada caso.
Durante o atendimento, a juíza Cibele Mourão Barroso, que integra a Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, acompanhou o processo e destacou a importância da ação dentro do contexto de apoio institucional às vítimas.
Segundo ela, o programa envolve uma abordagem voltada à reconstrução física e ao acompanhamento das mulheres atendidas pelos órgãos responsáveis.
De acordo com o cirurgião plástico Luciano Chaves, presidente da Fundação Ideah, alguns casos exigem múltiplas intervenções cirúrgicas, dependendo da gravidade das lesões apresentadas.
Ele explicou que já foram registrados atendimentos envolvendo sequelas severas, como queimaduras e outras lesões resultantes de agressões.
O programa “Recomeçar” integra uma rede de atendimento que existe desde 2013, promovida pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, com foco em cirurgias reparadoras gratuitas para pessoas em situação de vulnerabilidade, incluindo vítimas de acidentes e violência doméstica. Ao longo dos anos, mais de sete mil pacientes já foram atendidos em todo o país.
Atualmente, a iniciativa mantém parcerias com tribunais de diferentes estados brasileiros, ampliando o acesso ao atendimento especializado. Em Minas Gerais, o projeto já beneficiou mais de 200 mulheres.
O programa também se baseia em legislações e normas que tratam da proteção às vítimas de violência e do direito ao atendimento médico reparador, incluindo diretrizes do sistema público de saúde e resoluções do Conselho Nacional de Justiça.