Funcionário tirou câmera de vítima em rope jump após queda, diz testemunha

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Os desdobramentos da tragédia que tirou a vida da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de vinte e um anos, ganharam contornos ainda mais graves e revoltantes após o surgimento de novos relatos vindos direto de quem presenciou o acidente. Uma testemunha ocular da queda na Ponte do Esqueleto, localizada na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, fez revelações chocantes sobre o comportamento dos organizadores do evento logo após a fatalidade. Segundo esse depoimento, enquanto a vítima estava caída no chão após ser lançada sem o cabo de segurança, um funcionário da empresa responsável pelo salto se preocupou em recolher equipamentos que estavam presos ao corpo da garota.

A jovem perdeu a vida na manhã do último sábado, dia treze de junho, ao ser atirada da plataforma por profissionais da empresa de turismo de aventura chamada Entre Cordas, que simplesmente não perceberam que o procedimento de fixação com a corda principal não havia sido concluído. O erro absurdo fez com que Maria Eduarda caísse em queda livre de uma altura impressionante, sem nenhuma chance de defesa ou amortecimento no impacto. Uma equipe médica de socorro do SAMU chegou a ser acionada rapidamente e prestou os primeiros atendimentos emergenciais ainda no local, mas a gravidade dos ferimentos na cabeça e no tórax acabou provocando o óbito da vítima.

No momento do acidente fatal, a fila de espera da ponte estava cheia de outros clientes e aventureiros que aguardavam ansiosamente a sua vez de experimentar a sensação de adrenalina pura do rope jump. Entre as pessoas que assistiam a tudo na plataforma de concreto estava o coordenador pedagógico Rafael Goulart, que acabou se transformando em uma das principais testemunhas do inquérito policial aberto pela Polícia Civil. Em entrevista detalhada concedida à equipe de reportagem da CNN Brasil, o educador descreveu o cenário de pânico e a frieza que tomou conta dos organizadores após o salto sem corda.

O coordenador pedagógico explicou que fazia parte de uma comitiva imensa de aproximadamente oitenta pessoas que havia viajado até o interior de São Paulo exclusivamente para realizar a atividade radical naquele fim de semana de sol. Segundo o relato do rapaz, os eventos organizados por essa agência específica eram extremamente concorridos no mercado de turismo e exigiam que os clientes fizessem reservas de datas com meses de antecedência. Os pagamentos das taxas de inscrição precisavam ser quitados bem antes para garantir o direito de subir na passarela da estrutura inacabada.

Rafael presenciou o momento exato em que a jovem de vinte e um anos foi impulsionada para o vazio pelos instrutores, sem imaginar que a checagem dos nós de segurança havia sido totalmente ignorada pela equipe de solo. Ele contou que, logo após o impacto violento do corpo da menina contra o solo lá embaixo, o desespero tomou conta dos amigos da vítima, mas a reação dos funcionários da empresa seguiu um rumo muito estranho. O homem viu claramente quando um dos operadores correu em direção ao corpo da jovem caída para desatar e retirar uma câmera de ação do modelo GoPro que ela usava para filmar a descida.

As palavras do coordenador pedagógico para a equipe de televisão transmitiram toda a indignação e o sentimento de revolta que atingiu as dezenas de clientes que assistiram à cena de cima da Ponte do Esqueleto. Ele destacou que, enquanto o público olhava para o fundo do vale horrorizado com o crime que havia acabado de acontecer, os organizadores demonstravam uma preocupação fora do comum em limpar a área e recolher os objetos pessoais. O funcionário desamarrou a câmera que estava fixada na região do pescoço e das mãos da vítima antes mesmo da chegada das viaturas da polícia e do socorro.

A testemunha fez questão de levantar questionamentos sérios sobre o real motivo que levou a equipe da empresa Entre Cordas a mexer na cena de um crime de homicídio de forma tão apressada e sem autorização da perícia. Rafael afirmou que ficou em dúvida se a atitude dos instrutores foi uma tentativa desesperada de esconder provas e imagens que revelassem a falha humana, ou se foi apenas uma postura mesquinha de quem estava preocupado em não perder um equipamento eletrônico que tem um custo de mercado elevado. O coordenador reforçou que, independentemente da intenção por trás do gesto, ninguém tinha o direito de tocar no corpo da vítima.

A retirada de qualquer objeto de uma pessoa que acabou de sofrer um acidente grave é considerada pelas autoridades de trânsito e segurança uma infração gravíssima que pode configurar o crime de fraude processual ou alteração de cena de crime. Os peritos do Instituto de Criminalística dependem da posição exata de cada fivela, corda e acessório para conseguir reconstituir a mecânica da queda com precisão e apontar as responsabilidades técnicas. O sumiço ou a manipulação da câmera digital pode dificultar o trabalho dos investigadores e atrasar o andamento do processo criminal no tribunal.

O depoimento do coordenador pedagógico já foi formalizado na delegacia de polícia de Limeira e deve ser usado pelo Ministério Público para reforçar a gravidade da conduta dos três homens que foram presos preventivamente neste domingo. A promotoria entende que a suposta preocupação em recolher os aparelhos eletrônicos antes de prestar o socorro adequado demonstra um total desprezo pela vida da jovem e uma tentativa de escapar das consequências jurídicas do erro cometido. Os advogados de defesa dos investigados ainda não se pronunciaram oficialmente sobre a acusação de retirada da GoPro.

A revelação sobre o recolhimento da câmera gerou uma nova onda de protestos e manifestações de revolta por parte dos familiares e amigos de Maria Eduarda nas redes sociais e páginas de notícias do interior de São Paulo. Muitas pessoas comentavam que o detalhe da GoPro torna a tragédia ainda mais desumana e dolorosa para quem está enfrentando o luto e a perda repentina da estudante. A busca por Justiça e por uma punição exemplar para os donos da empresa virou uma bandeira de luta para a comunidade local, que exige o banimento definitivo de esportes radicais informais na região.

Os policiais civis responsáveis pelo caso informaram que estão tentando localizar o paradeiro do equipamento eletrônico citado pela testemunha para verificar se o cartão de memória com as imagens do momento do acidente ainda está intacto. Se as gravações da câmera de ação forem recuperadas, elas funcionarão como a prova definitiva para demonstrar o grau de negligência dos operadores no momento em que autorizaram o salto sem a amarração do cabo principal. A busca pelos objetos recolhidos passou a ser uma das prioridades da equipe de investigação nesta semana.

No final das contas, o relato doloroso de quem viu de perto os últimos segundos de Maria Eduarda deixa um alerta amargo sobre os riscos da ganância e da falta de profissionalismo no mercado de turismo de aventura no Brasil. A vida de uma jovem cheia de planos foi interrompida por um erro que poderia ter sido evitado com uma simples checagem visual de rotina antes de autorizar o pulo na ponte. Enquanto os três suspeitos continuam atrás das grades aguardando o julgamento, a sociedade espera que as investigações consigam trazer à tona toda a verdade sobre o que aconteceu naquele sábado, garantindo que a impunidade não seja o desfecho dessa história.

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