Os Estados Unidos estudam a possibilidade de aplicar novas tarifas sobre produtos importados do Brasil, com alíquotas que podem chegar a cerca de 30%. A medida faz parte de uma investigação comercial em andamento e pode atingir diversos setores da economia brasileira.
De acordo com informações ligadas às discussões em Washington, alguns itens devem ficar fora da cobrança, especialmente aqueles considerados sensíveis para o consumidor americano por influenciarem a inflação, como café, carne e suco de laranja.
O processo está sendo conduzido pelo USTR, que analisa práticas comerciais classificadas como desleais. A conclusão oficial está prevista para os próximos meses, embora haja possibilidade de divulgação antecipada devido ao estágio avançado das apurações.
Entre os pontos avaliados estão políticas econômicas brasileiras, incluindo o funcionamento do sistema de pagamentos instantâneos Pix, que, segundo o governo americano, poderia afetar a competitividade de empresas estrangeiras. Também são mencionadas questões relacionadas à proteção de propriedade intelectual e à comercialização de produtos considerados irregulares.
Outro aspecto citado envolve preocupações ambientais, especialmente em relação à origem de madeira exportada. Autoridades americanas apontam impactos tanto no meio ambiente quanto na concorrência internacional.
Apesar da variedade de temas levantados, a tendência é que eventuais medidas se concentrem na aplicação de tarifas comerciais, sem incluir, por ora, sanções financeiras mais amplas. Um dos setores observados com atenção é o de etanol, que atualmente possui tarifas específicas e condições diferenciadas no mercado brasileiro.
As ações fazem parte de dispositivos legais utilizados pelos Estados Unidos para responder a práticas comerciais internacionais, como a Seção 301 da Lei do Comércio de 1974, além de outros mecanismos aplicados em contextos anteriores envolvendo produtos como aço e alumínio.