O modelo prisional adotado em El Salvador pelo presidente Nayib Bukele continua gerando debates intensos dentro e fora do país. Chamado de “Plan Cero Ocio”, o programa estabelece que detentos participem de atividades de trabalho para ajudar a custear a própria alimentação e colaborar com a manutenção do sistema penitenciário.
A proposta faz parte da política de segurança implantada pelo governo salvadorenho no combate às gangues criminosas que, durante anos, dominaram diversas regiões do país.
Nas prisões de segurança máxima, os detentos vivem sob regras rígidas. Segundo informações divulgadas pelo governo e reportagens internacionais, não há colchões, travesseiros ou cobertores nas celas.
Os presos dormem em estruturas metálicas ou de concreto e seguem rotinas controladas. Além disso, a progressão de regime pode depender do desempenho em atividades como agricultura, costura, limpeza, produção de móveis e obras públicas.
Para o governo, o projeto representa uma mudança de lógica no sistema prisional. A ideia é que os presos deixem de ficar ociosos e passem a contribuir de alguma forma com os custos gerados pelo encarceramento.
Autoridades afirmam que a iniciativa ajudou a reduzir a criminalidade e enfraquecer organizações criminosas, permitindo que recursos públicos fossem direcionados para outras áreas da segurança.
Por outro lado, entidades internacionais de direitos humanos demonstram preocupação com as condições das prisões e com possíveis excessos no tratamento dado aos detentos.
Organizações apontam que medidas extremamente rígidas podem violar direitos fundamentais e questionam se o modelo respeita garantias básicas previstas em acordos internacionais.
Mesmo cercado de polêmicas, o sistema implantado em El Salvador chama atenção de pessoas ao redor do mundo. Enquanto alguns enxergam o modelo como exemplo de firmeza contra o crime, outros alertam para os riscos de punições severas demais. O debate continua dividindo opiniões nas redes sociais e na política internacional.