Um estudo recente aponta que milhões de brasileiros vivem sob influência direta de organizações criminosas em diferentes regiões do país.
De acordo com a pesquisa intitulada Perspectives on Politics, entre 50,6 e 61,6 milhões de pessoas — cerca de 26% da população — estariam inseridas no que os pesquisadores classificam como “governança criminal”.
O conceito descreve situações em que grupos ilegais passam a exercer controle sobre comunidades, interferindo no cotidiano dos moradores.
Esse domínio pode impactar desde regras de convivência até aspectos mais amplos, como segurança, participação política e acesso a serviços básicos. O levantamento foi desenvolvido por pesquisadores ligados a universidades dos Estados Unidos e publicado pela Cambridge University Press.
No cenário latino-americano, o Brasil aparece com o maior número de pessoas vivendo sob esse tipo de influência, superando países frequentemente associados à atuação do narcotráfico, como México, Colômbia e El Salvador. Em toda a região, a estimativa varia entre 77 e 101 milhões de pessoas afetadas, o que representa cerca de 14% da população total.
Segundo o estudo, a presença dessas organizações não se limita a grandes centros urbanos. O fenômeno também alcança áreas periféricas, regiões metropolitanas e cidades menores.
Nesses locais, são relatadas práticas como restrições de circulação, imposição de normas locais, cobrança de taxas ilegais e limitação na escolha de serviços e produtos.
Dados complementares de um relatório da Secretaria Nacional de Políticas Penitenciárias indicam a existência de pelo menos 88 grupos criminosos atuando no Brasil.
Entre eles estão facções conhecidas como Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, que possuem atuação em diversas regiões e também fora do país.
O levantamento aponta ainda que a região Nordeste concentra o maior número de organizações identificadas recentemente, seguida pelas regiões Sul, Sudeste, Norte e Centro-Oeste. Os dados reforçam a dimensão territorial e a diversidade da atuação desses grupos no país.