Em diferentes países, um número crescente de mulheres tem relatado gestações inesperadas após o início do uso de medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, presentes em fármacos como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Zepbound.
Nas redes sociais, esse fenômeno passou a ser chamado informalmente de “Ozempic babies”. Ao mesmo tempo, ferramentas de busca registraram um aumento expressivo em termos relacionados à fertilidade e ao uso dessas medicações, refletindo a curiosidade e a preocupação do público.
Especialistas de centros médicos como a Columbia University Fertility Center, a Cleveland Clinic e a UT Southwestern explicam que esses medicamentos não foram desenvolvidos para aumentar a fertilidade e não atuam diretamente sobre a ovulação.
No entanto, a perda de peso significativa e a melhora da resistência à insulina podem contribuir para o retorno da ovulação em mulheres com obesidade ou síndrome dos ovários policísticos, o que eleva naturalmente as chances de gravidez em alguns casos.
Outro ponto importante envolve a interação com métodos contraceptivos orais. Como os GLP-1 podem retardar o esvaziamento do estômago, isso pode alterar a absorção de medicamentos ingeridos por via oral, incluindo anticoncepcionais.
Por esse motivo, autoridades regulatórias como o FDA passaram a recomendar o uso de métodos adicionais de proteção, como preservativos, especialmente no início do tratamento e após aumentos de dose, ou a substituição por métodos não orais, como DIU ou implantes.
Sociedades médicas como o American College of Obstetricians and Gynecologists e a Endocrine Society também orientam cautela para mulheres que planejam engravidar, recomendando a suspensão do uso com antecedência, devido a dados de estudos em animais que apontaram possíveis riscos ao desenvolvimento fetal.
Até o momento, ainda não há evidências suficientes que confirmem segurança durante a gestação em humanos.
Apesar da grande repercussão nas redes sociais e dos relatos individuais, profissionais de saúde destacam que a literatura científica ainda é limitada, especialmente em populações sem condições como a SOP.
Por isso, o uso desses medicamentos deve ser sempre acompanhado por orientação médica, evitando decisões baseadas apenas em experiências compartilhadas na internet. Cada caso deve ser avaliado individualmente por um profissional de saúde qualificado.