Patroa teria m4tado cozinheira para não pagar rescisão, diz polícia

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O universo das investigações policiais no litoral paulista e as relações de trabalho dentro do setor de hotelaria ganharam um capítulo profundamente triste, misterioso e angustiante nas últimas semanas. A Polícia Civil do Estado de São Paulo trabalha de forma intensa para desvendar as circunstâncias por trás do sumiço de uma trabalhadora de sessenta anos de idade na cidade litorânea de Ubatuba, no litoral norte do estado. O caso, que inicialmente mobilizou a comunidade e as redes sociais como um doloroso registro de desaparecimento de pessoa, tomou um rumo extremamente grave e agora é investigado pelas autoridades sob a forte suspeita de homicídio qualificado.

Toda a linha de apuração de bastidores aponta para um desfecho violento motivado por questões puramente financeiras relacionadas ao encerramento de um vínculo profissional. Os investigadores do caso acreditam que a empresária Eliane Alves dos Santos teria tirado a vida da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar Faria com o único objetivo de não arcar com o pagamento da rescisão do contrato de trabalho da funcionária. A hipótese de que um acerto de contas trabalhista tenha servido de estopim para uma tragédia dessa magnitude chocou os moradores da região e os familiares da vítima.

A cozinheira Berenice Ramos de Aguiar Faria, que prestava seus serviços profissionais na região litorânea, está desaparecida desde o dia trinta de junho, quando foi vista pela última vez após aceitar uma carona oferecida pela sua própria patroa. Com o avanço rápido das investigações e a coleta de depoimentos contraditórios, a polícia civil solicitou à Justiça a prisão temporária da empresária Eliane, apontada formalmente como a principal suspeita do suposto crime. A mulher acabou sendo presa pelas forças de segurança na última sexta-feira, dia dez de julho, enquanto o corpo da trabalhadora idosa continua sem ser localizado pelas equipes de busca.

Para entender como a relação profissional entre as duas mulheres desandou de forma tão drástica, as autoridades locais precisaram reconstruir os passos de Berenice nos dias que antecederam o seu sumiço definitivo. A suspeita Eliane Alves dos Santos é proprietária de uma pousada em pleno funcionamento localizada no bairro Ubatumirim, uma região cercada por belezas naturais em Ubatuba. De acordo com o depoimento oficial prestado por um dos filhos de Berenice aos policiais civis, a idosa havia revelado que foi dispensada do trabalho na pousada no dia vinte e nove de junho, apenas vinte e quatro horas antes de desaparecer, sob a justificativa de baixa temporada turística.

Naquela mesma conversa de bastidores com a família, a cozinheira explicou que estava apenas aguardando o recebimento dos valores rescisórios devidos pela demissão para poder finalmente arrumar as suas malas e retornar para a sua casa. Berenice morava na cidade de Igaratá, localizada na região do Vale do Paraíba, no interior paulista, e pretendia usar o dinheiro do acerto trabalhista para pagar as passagens e se restabelecer junto aos seus parentes após o fim do contrato temporário de serviço na praia.

As investigações apontam que, na tarde do dia trinta de junho, a idosa entrou no carro da dona da pousada para aceitar uma suposta carona que a levaria até o trevo de acesso à Rodovia Oswaldo Cruz, que faz a ligação viária entre Ubatuba e Taubaté. A partir daquele momento exato em que o veículo da empresária deixou as dependências do estabelecimento comercial, a cozinheira nunca mais foi avistada por vizinhos, motoristas ou comerciantes locais, deixando um rastro de completo silêncio e agonia para os seus familiares que aguardavam notícias.

O filho de Berenice, José Carlos de Faria Filho, relatou em detalhes para a equipe de investigação que a mãe simplesmente parou de visualizar e responder às mensagens enviadas pelos aplicativos de celular naquela mesma tarde em que aceitou a carona. Diante do sumiço repentino e inexplicável de uma pessoa que costumava manter contato diário com a família, os parentes decidiram viajar até Ubatuba e ir pessoalmente à pousada de Ubatumirim para tentar obter alguma pista sobre o paradeiro da cozinheira.

Ao chegarem no local de trabalho da mãe para fazer perguntas aos funcionários e vizinhos da pousada, os familiares descobriram por meio de relatos de terceiros que houve uma forte e áspera discussão verbal entre Berenice e a patroa no dia do acerto financeiro. Quando questionada diretamente pelos parentes da idosa, a empresária Eliane afirmou com muita naturalidade que o problema já havia sido resolvido. A suspeita alegou que pagou a quantia de dois mil e seiscentos reais em dinheiro em espécie nas mãos da funcionária e que, logo em seguida, fez a gentileza de deixá-la no trevo da rodovia estadual.

Essa versão apresentada pela dona da pousada, contudo, passou a ser vista com muita desconfiança pelos delegados de polícia responsáveis pelo inquérito de homicídio. Os investigadores acharam muito estranho o fato de uma senhora de sessenta anos de idade sumir sem deixar vestígios ou realizar qualquer movimentação bancária logo após receber uma quantia significativa de dinheiro vivo no meio da tarde, sem contar o histórico de desentendimento ruidoso entre as duas mulheres no ambiente de trabalho.

Os policiais civis de Ubatuba realizam buscas minuciosas em áreas de mata fechada, estradas de terra e nas proximidades da Rodovia Oswaldo Cruz, buscando encontrar qualquer pista que leve ao paradeiro de Berenice. Os agentes também utilizam imagens de câmeras de segurança de comércios e pedágios da região para rastrear o trajeto exato feito pelo carro da empresária na tarde do desaparecimento, tentando comprovar se a carona realmente terminou no trevo rodoviário ou se o veículo seguiu por caminhos diferentes dos informados no depoimento.

A repercussão do caso nas redes sociais e nos jornais locais do Vale do Paraíba e do litoral norte gerou uma enorme onda de revolta, comoção e pedidos desesperados por justiça por parte de amigos, vizinhos e internautas. A postagem do filho de Berenice pedindo ajuda para encontrar a mãe recebeu milhares de compartilhamentos, com muitas pessoas destacando a crueldade de um crime motivado pela recusa de pagar direitos trabalhistas básicos de uma funcionária humilde que dedicou seu tempo ao funcionamento da pousada.

No final das contas, o desfecho tenso, misterioso e bastante realista dessa investigação policial em Ubatuba deixa uma lição muito nítida e dolorosa sobre a necessidade de maior rigor na fiscalização das relações de trabalho e no amparo às pessoas em situação de vulnerabilidade no cotidiano brasileiro. Entender que a vida humana deve estar sempre acima de qualquer disputa financeira de bastidores continua sendo a mensagem mais urgente que esse triste episódio transmite para toda a sociedade. A população acompanha os próximos passos das buscas e do inquérito policial esperando que a verdade apareça e que a justiça prevaleça de forma exemplar.

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