Vídeo flagra execução de homem em frente a academia de BH

Um homem é morto com mais de 15 tiros em frente a uma academia, em plena manhã, numa rua movimentada de Belo Horizonte.
As câmeras registram tudo: o carro branco, o disparo à queima-roupa, o corpo que cai.
E ninguém parece mais se surpreender.

Nathan Kellerson, 34 anos, foi executado no bairro Sagrada Família, região Leste da capital.
O atirador desce do banco do carona, dispara várias vezes e foge com calma.
A rotina segue — como se o horror já tivesse se tornado parte do cotidiano urbano.

Segundo a Polícia Militar, Nathan era suspeito de outro homicídio, cometido quinze dias antes.
O crime, diz a PM, é mais um capítulo da guerra entre facções da Pedreira Prado Lopes, território onde o tráfico dita regras e desafia o Estado há décadas.
Mas por trás da linguagem policial, há algo mais profundo: a completa banalização da execução pública.

O vídeo é chocante não apenas pela violência, mas pela precisão.
Nenhum tiro desperdiçado, nenhuma hesitação.
Um “ajuste de contas” filmado com nitidez cirúrgica — e que se espalha nas redes como espetáculo.

A frieza das imagens escancara uma verdade desconfortável: a morte deixou de ser clandestina.
Ela agora é exibida, compartilhada, comentada — e logo esquecida.
O Brasil parece ter perdido o pudor diante da violência.

As autoridades falam em disputa entre facções, perícia técnica, rastreamento do veículo.
Tudo soa protocolar, quase automático.
Mas o essencial fica fora do boletim: como chegamos ao ponto em que execuções se tornaram rotina matinal?

O carro usado, um Fiat Fiorino branco, havia sido alugado.
O dono alega não saber de nada.
Essa cadeia de “desconhecimentos” é o retrato fiel da impunidade difusa — ninguém é culpado, todos são vítimas das circunstâncias.

A execução de Nathan é, paradoxalmente, uma confissão social: a de que o Estado perdeu o monopólio da força.
A lei, ali, é definida por quem tem mais munição e menos medo.
E a polícia, muitas vezes, chega apenas para recolher o corpo.

Cada novo vídeo de execução é um espelho.
Mostra o que nos tornamos — espectadores de uma guerra não declarada.
Uma guerra sem fronteiras, sem heróis, e, pior, sem espanto.

O mais assustador não é o som dos tiros, mas o silêncio que vem depois.
Silêncio das ruas, das instituições, da própria sociedade, que já aprendeu a conviver com o inaceitável.

O crime de Nathan não é apenas mais um caso de polícia.
É um sintoma de uma epidemia moral: a anestesia diante da violência.
Enquanto os vídeos continuam a circular, a morte vai se tornando só mais um conteúdo — e nós, seu público fiel.

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