A vereadora Brisa Bracchi, do PT em Natal (RN), enfrenta um processo de cassação após usar R$ 18 mil de emendas parlamentares para financiar um evento chamado “Rolê Vermelho – Bolsonaro na Cadeia”.
Segundo o parecer da Comissão Especial Processante, aprovado por maioria, o ato teria caráter político-partidário, e o uso de verba pública para esse fim configuraria desvio de finalidade.
O evento, realizado em 9 de agosto na Casa Vermelha, incluiu shows — alguns artistas cobriram seus cachês em solidariedade, mas a comissão aponta que apenas contratar o ato político com recursos públicos já caracteriza o problema.
O relator do processo definiu que há violação dos princípios constitucionais da impessoalidade e da moralidade administrativa, além de suspeitas de improbidade ou peculato.
Em sua defesa, Brisa afirma que o valor foi usado para pagar artistas locais, e que o evento seria cultural — não político. Ela também alega motivação política no processo de cassação.
Se for cassada, Brisa pode perder o mandato e ser substituída pela suplente Júlia Arruda, de acordo com o regulamento da Câmara Municipal de Natal.
Reflexão crítica:
- Há uma linha tênue entre ato cultural e ato político — mas usar verba pública para celebrar a prisão de um ex-presidente lhe confere inegável carga partidária.
- O caso revela o desafio de definir limites éticos para o uso de emendas parlamentares em eventos: o controle social e institucional se torna essencial.
- Também é simbólico politicamente: trata-se de uma parlamentar do PT utilizando recursos públicos para uma manifestação contra Bolsonaro — o conflito entre discurso ideológico e responsabilidade pública se escancara.

