“Vai me dar sim” médico não libera atestado, e paciente volta armado na UPA de Balneário Camboriú

Um episódio de violência registrado em Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina, mobilizou forças de segurança e reacendeu o debate sobre a segurança de profissionais da saúde em unidades públicas. O caso ocorreu após um paciente retornar armado a uma Unidade de Pronto Atendimento depois de ter o pedido de atestado médico negado.

De acordo com informações apuradas, o homem teria procurado atendimento na UPA e solicitado a emissão de um atestado. O médico responsável pela avaliação clínica, no entanto, não considerou haver justificativa técnica para o afastamento, recusando a liberação do documento.

Testemunhas relataram que, ao receber a negativa, o paciente reagiu com irritação e deixou o local. Antes de sair, teria afirmado (Vai me dar sim), frase que foi interpretada por funcionários como uma ameaça.

Horas depois, segundo relatos, o mesmo indivíduo retornou à unidade de saúde portando uma arma de fogo. A presença do paciente armado provocou tensão entre profissionais, pacientes e acompanhantes que estavam no local.

A direção da UPA acionou imediatamente a Polícia Militar, que se deslocou até a unidade para conter a situação. O homem foi abordado e detido sem que houvesse registro de disparos ou feridos, conforme informações preliminares.

A Secretaria de Saúde do município informou que o atendimento foi temporariamente interrompido para garantir a segurança de todos os presentes. Após a intervenção policial, o funcionamento da unidade foi restabelecido.

Autoridades policiais instauraram procedimento para apurar os fatos, incluindo a origem da arma e as circunstâncias que levaram o paciente a retornar ao local armado. O caso pode resultar em acusações relacionadas a porte ilegal de arma e ameaça.

O Conselho Regional de Medicina e entidades representativas da categoria manifestaram preocupação com a escalada de episódios de agressão contra profissionais da saúde. Segundo essas entidades, situações de conflito têm se tornado mais frequentes em unidades de pronto atendimento.

Especialistas em gestão hospitalar destacam que a emissão de atestados médicos depende exclusivamente de avaliação técnica. O profissional é orientado a considerar critérios clínicos objetivos antes de recomendar afastamento laboral.

A recusa na concessão de atestados é respaldada por normas éticas e regulamentações da prática médica. O documento deve refletir a real condição de saúde do paciente, não podendo ser emitido apenas por solicitação.

Casos de violência em unidades de saúde têm sido registrados em diferentes regiões do país. Dados de entidades médicas apontam crescimento de ameaças e agressões verbais ou físicas contra equipes assistenciais.

Em Balneário Camboriú, o episódio gerou repercussão nas redes sociais e entre moradores. Muitos demonstraram solidariedade aos profissionais da UPA, enquanto outros ressaltaram a importância de medidas preventivas.

A prefeitura informou que estuda reforçar protocolos de segurança nas unidades municipais. Entre as medidas avaliadas estão ampliação do monitoramento por câmeras e revisão dos procedimentos de controle de acesso.

Para especialistas em segurança pública, a presença ostensiva de policiamento próximo a unidades de saúde pode atuar como fator inibidor de comportamentos violentos. No entanto, ressaltam que a solução passa também por ações educativas e políticas públicas mais amplas.

O médico envolvido no caso não sofreu ferimentos, mas recebeu apoio institucional após o ocorrido. A Secretaria de Saúde afirmou que presta assistência psicológica aos profissionais que se sentirem afetados.

Juristas lembram que ameaçar ou constranger profissional no exercício de sua função pode configurar crime, especialmente quando há uso de arma de fogo. A legislação prevê punições que variam conforme a gravidade do ato.

A discussão também envolve a relação entre pacientes e sistema público de saúde. Especialistas apontam que a frustração com negativas administrativas ou médicas não pode justificar qualquer forma de violência.

O caso da UPA de Balneário Camboriú reforça a necessidade de garantir condições seguras de trabalho aos profissionais da saúde, especialmente em unidades de pronto atendimento que lidam diariamente com situações de estresse.

As investigações seguem sob responsabilidade das autoridades policiais. Enquanto isso, o episódio permanece como alerta para a importância do respeito às decisões técnicas médicas e da preservação da segurança em ambientes de atendimento público.

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