O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou uma ampla operação militar na América do Sul, com foco em cartéis de drogas que ele e seu governo classificam como “narcoterroristas”. A ação representa uma escalada significativa na estratégia dos EUA contra o narcotráfico na região.
O anúncio da nova ofensiva foi feito pelo secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, que divulgou nas redes sociais a criação da “Operação Lança do Sul” (“Operation Southern Spear”). Segundo Hegseth, a missão terá como objetivo “remover narcoterroristas do nosso Hemisfério” e proteger os Estados Unidos das drogas que, em suas palavras, “estão matando nosso povo”.
A operação será conduzida pela Força-Tarefa Conjunta Lança do Sul, em coordenação com o Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM), responsável por supervisionar ações militares na América Latina e no Caribe.
No contexto dessa decisão, Trump afirmou que suas Forças Armadas devem combater diretamente os cartéis latino-americanos que foram listados como “organizações terroristas globais”.
Em fevereiro deste ano, a administração Trump classificou oito grupos criminosos da América Latina como organizações terroristas estrangeiras. Entre eles está o cartel venezuelano Tren de Aragua, além de gangues da América Central e cartéis mexicanas.
Mais tarde, em julho, o governo americano adicionou à lista o chamado “Cartel de los Soles”, cuja liderança estaria, segundo os EUA, vinculada ao presidente venezuelano Nicolás Maduro.
A nova estratégia de Trump inclui não apenas operações navais, mas também a possibilidade de ataques em terra. Ele indicou que a CIA já realiza missões secretas na Venezuela e admitiu considerar operações terrestres para atingir cartéis instalados no país.
Desde agosto de 2025, a Marinha dos EUA vem posicionando navios de guerra no Caribe, além de um submarino nuclear, caças F-35 e unidades de fuzileiros. Essa mobilização reforça o poder militar dos EUA em águas próximas à América do Sul.
O primeiro ataque aéreo associado à operação ocorreu em setembro de 2025, quando um barco supostamente usado por traficantes foi atingido no Mar do Caribe, causando mortes.
De acordo com fontes, seriam ao menos vinte embarcações alvo dessas ofensivas, que teriam acontecido entre o Caribe e o Oceano Pacífico oriental.
A administração Trump justifica a operação como parte de um esforço para “degradar e desmantelar” organizações criminosas transnacionais que operam na região, ameaçando a segurança americana.
Entretanto, a iniciativa tem gerado críticas. Especialistas em direito internacional alegam que a definição de cartéis como “terroristas” e a intervenção militar podem violar normas diplomáticas e soberania de nações latino-americanas.
Por sua vez, autoridades venezuelanas têm condenado o movimento, acusando os EUA de tentar desestabilizar o governo de Nicolás Maduro sob pretexto de combate às drogas.
A escalada militar também provoca apreensão regional. A presença de navios de guerra perto da costa sul-americana é vista por alguns como um possível prelúdio para ações mais diretas, incluindo desembarques terrestres.
Do lado legal, muitos questionam o uso da força letal contra organizações criminosas que não foram formalmente declaradas combatentes em um conflito armado internacional, levantando dúvidas sobre direitos humanos e o respeito ao direito internacional.
Por outro lado, o governo Trump sustenta que a crise do fentanil, opioide sintético que chega aos EUA por rotas latino-americanas, justifica uma resposta mais agressiva.
Analistas apontam que essa operação militar pode reconfigurar a presença dos EUA na América Latina, reforçando um papel intervencionista que não era visto em larga escala há anos.
Alguns estudiosos alertam, porém, que a ameaça militar pode provocar uma reação política e diplomática forte nos países da região, criando tensões graves com governos vizinhos.
Além disso, há incertezas sobre a duração da operação e quais serão os objetivos concretos: se trata de uma campanha limitada no tempo ou de um compromisso de longo prazo para erradicar os cartéis no Hemisfério Ocidental.
Enquanto isso, a comunicação oficial americana tenta transmitir que a “Operação Lança do Sul” é uma ação legítima de segurança nacional, projetada para proteger a sociedade americana e atacar organizações criminosas internacionais.

