A morte do psicólogo Manoel Neto gerou forte comoção nas redes sociais após ele relatar publicamente um episódio de racismo vivido durante o Carnaval de Salvador.
Em um desabafo publicado em seu perfil, Manoel contou que foi impedido de circular livremente dentro de um camarote, mesmo após solicitar passagem de forma educada.
Segundo o relato, a situação só foi resolvida quando ele elevou o tom de voz e reagiu de maneira mais incisiva.
O psicólogo refletiu sobre como, muitas vezes, a cordialidade de um homem negro não é respeitada.“Eles respeitam nossa raiva; todo o resto é desumanidade”, escreveu ao descrever o constrangimento sofrido em um espaço pelo qual havia pago para estar.
No texto, Manoel também abordou as marcas emocionais deixadas por esse tipo de violência simbólica.
Ele criticou o que chamou de “pacto narcísico da branquitude”, apontando a naturalização do desrespeito e da desumanização de pessoas negras, independentemente de títulos acadêmicos, reconhecimento ou posição social.
O psicólogo ainda fez um alerta direto à população negra sobre as humilhações recorrentes impostas pelo racismo cotidiano.
O desabafo terminou com a frase que teve ampla repercussão: “O Carnaval foi lindo, foi mágico. Mas a felicidade do negro é quase”.
O caso reacendeu debates sobre racismo estrutural e seus impactos na saúde mental da população negra no Brasil.
Especialistas apontam que experiências recorrentes de discriminação podem gerar sofrimento psíquico profundo, incluindo ansiedade, depressão e sensação de desamparo.
Organizações da sociedade civil reforçaram a importância de políticas públicas de enfrentamento ao racismo e de ampliação do acesso a cuidados em saúde mental.
O episódio também levou a manifestações de solidariedade e pedidos de investigação sobre as circunstâncias relatadas.
O tema segue mobilizando discussões sobre igualdade racial, responsabilidade institucional e acolhimento psicológico em contextos de discriminação.

