Um pai viu o filho de 8 anos morr*r atropelado por um motorista bêbado e reagiu com violência

Em dezembro de 2022, uma tragédia atravessou uma esquina de Goiânia e partiu o país em silêncio. Dedilson de Oliveira Souza, vendedor ambulante, viu o mundo ruir diante de seus olhos quando o filho, Danilo, de apenas oito anos, foi atropelado por um motorista embriagado. O garoto, que vendia balas ao lado do pai, tornou-se mais uma vítima do álcool e da imprudência ao volante.

Naquele instante, a linha entre razão e desespero desapareceu. Dedilson impediu que o motorista fugisse. E, movido por uma dor que nenhuma palavra alcança, reagiu. Socos, chutes, pedras — cada golpe era o grito de um homem que perdera tudo. O condutor foi socorrido, mas não resistiu. Dias depois, estava morto.

O caso percorreu tribunais, manchetes e consciências. Três anos se passaram até que Dedilson fosse julgado. No banco dos réus, não estava apenas um homem — estava a fronteira frágil entre a justiça humana e a justiça do coração.

O Tribunal do Júri de Goiânia o absolveu. Os jurados reconheceram que ele agiu em “emoção extrema”. Nenhuma lei é capaz de descrever o que acontece quando um pai segura o corpo do próprio filho morto. Nenhum código penal prevê o peso da dor.

Entre o crime e o desespero, há um abismo onde mora o humano. A sociedade gosta de rótulos: “assassino”, “vítima”, “culpado”, “inocente”. Mas, às vezes, todos eles se confundem no mesmo rosto — o de alguém destruído pela perda.

Dedilson não buscou justiça. Buscou ar. Tentou impedir que o homem que matou seu filho seguisse impune, como se ao impedir sua fuga pudesse, de alguma forma, impedir o próprio destino. Mas o destino não volta. Só o remorso.

A absolvição dividiu opiniões. Uns aplaudiram o júri por compreender a humanidade por trás do gesto. Outros temeram o precedente de legitimar o impulso da dor. Afinal, se a emoção justifica tudo, o que resta à lei?

Mas talvez o júri não tenha premiado a violência — tenha apenas reconhecido a falência da razão diante do sofrimento. Há momentos em que a justiça precisa enxergar além do código e escutar o que o silêncio grita.

Dedilson não venceu. Nenhum pai vence quando perde um filho. A liberdade que recebeu não apaga o que viveu; apenas confirma que, diante da tragédia, ele já cumprira a pena mais cruel: a de sobreviver.

O menino Danilo se foi, e com ele, a inocência de um mundo que acredita que dor e crime cabem nas mesmas sentenças. O caso de Goiânia não fala sobre punição, mas sobre humanidade — sobre o que somos quando tudo nos é tirado.

A lei julga o ato. O júri julgou o coração. E, às vezes, essa é a única forma possível de fazer justiça.

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