Ulisses abre processo contra Mari Menezes por difamação e calúnia, e exige uma retratação pública. Ele afirma que tudo o que ela disse é mentira

O que vale mais em tempos digitais: a verdade objetiva ou a narrativa que se espalha primeiro?

A disputa judicial entre Ulisses e Mari Menezes recoloca essa pergunta no centro do debate contemporâneo.

 

O cantor abriu processo contra a influenciadora por difamação e calúnia.

Exige, além de reparação moral, uma retratação pública.

 

Para ele, tudo o que foi dito é mentira.

Mas, no tribunal da opinião pública, a velocidade das palavras costuma importar mais que sua veracidade.

 

O caso é emblemático porque não se limita a duas figuras conhecidas.

Ele reflete a fragilidade da reputação em uma era em que qualquer acusação pode viralizar em minutos.

 

Difamação, uma vez publicada, adquire vida própria.

Mesmo desmentida, continua ecoando em prints, comentários e memórias digitais.

 

Retratar-se, nesse contexto, tem pouco efeito prático.

A internet não esquece, e o pedido de desculpas quase nunca alcança a mesma audiência da acusação inicial.

 

O processo de Ulisses, portanto, não é apenas uma tentativa de reparação.

É também um gesto de resistência contra a naturalização da mentira como entretenimento.

 

Há quem veja exagero na judicialização de conflitos pessoais.

Mas ignorar a dimensão pública da difamação em redes sociais é fechar os olhos para seu alcance devastador.

 

O episódio também expõe um impasse jurídico: como equilibrar liberdade de expressão e responsabilidade sobre o que se diz?

No Brasil, a legislação existe, mas a aplicação ainda é lenta frente à velocidade da internet.

 

Enquanto isso, reputações podem ser destruídas em horas.

E reconstruí-las leva anos — quando é possível.

 

A batalha entre Ulisses e Mari vai muito além de uma questão pessoal.

É um sintoma de uma sociedade em que narrativas disputam espaço com fatos, e onde o dano simbólico pode ser tão ou mais grave que o material.

 

A questão central não é quem sairá vitorioso no tribunal.

Mas sim: será que, no tribunal da opinião pública, ainda existe espaço para a verdade sobreviver às narrativas?

 

Talvez o verdadeiro julgamento não esteja nas mãos de um juiz, mas na capacidade coletiva de distinguir denúncia legítima de espetáculo digital.

E, nesse campo, todos nós somos jurados — e cúmplices.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

O pedido de impeachment aberto contra Fux no Senado: entenda

Franceses querem ‘bloquear tudo’ já hoje.”A situação na França é caótica”