Durante conversa com jornalistas a bordo do Air Force One, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que deve se reunir com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste fim de semana, durante a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), na Malásia.
O encontro, ainda não oficializado, pode marcar um novo capítulo nas tensas relações entre Washington e Brasília, que atravessam o momento mais delicado dos últimos anos.
Trump, que impôs em agosto uma tarifa de 50% sobre a maioria dos produtos exportados pelo Brasil, indicou pela primeira vez estar aberto a rever a medida.
“Sim, diante das circunstâncias certas”, respondeu o presidente americano ao ser questionado se consideraria reduzir as tarifas.
O líder republicano também lembrou que já havia se encontrado brevemente com Lula durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro, e afirmou ver o brasileiro com bons olhos.
Horas depois, Lula comentou o possível encontro com otimismo.
“Não tem exigência dele e não tem exigência minha ainda. Vamos colocar na mesa os problemas e tentar encontrar uma solução”, disse o presidente em frente ao hotel onde está hospedado.
“Pode ficar certo que vai ter uma solução.”
A expectativa do governo brasileiro é que a reunião ocorra neste domingo (26/10), à margem da cúpula da Asean, em Kuala Lumpur.
O diálogo acontece em meio a uma série de sanções e tensões diplomáticas. Além das tarifas, o escritório do representante comercial dos EUA (USTR) abriu, em julho, uma investigação contra o Brasil por supostas práticas desleais de comércio.
A Casa Branca também impôs restrições de visto e sanções financeiras contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, em resposta à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
Mesmo diante de sinais de distensão, tanto Trump quanto Lula parecem dispostos a defender suas posições com firmeza. O encontro na Malásia pode definir os rumos da relação entre os dois países — e determinar se as tarifas e sanções serão realmente revistas ou continuarão a simbolizar o atrito entre a Casa Branca e o Planalto.

