A tragédia climática que devasta a Zona da Mata mineira neste final de fevereiro de 2026 ganhou um contorno de profunda comoção com a confirmação da morte de Bernardo Lopes Dutra. O menino de apenas 11 anos, conhecido carinhosamente entre amigos e familiares pelo apelido de “Tomatinho”, é uma das vítimas do temporal histórico que já deixou mais de 20 mortos e dezenas de desaparecidos na região. A perda de Bernardo, uma criança com um futuro promissor no esporte, simboliza a face mais cruel dos desastres naturais que interrompem sonhos precocemente.
Bernardo era uma figura querida nos campos de futebol society de Juiz de Fora. Ele era aluno da unidade local do Centro de Futebol Zico (CFZ), a renomada escolinha de futebol fundada pelo ídolo flamenguista Arthur Antunes Coimbra. O apelido “Tomatinho” não era apenas uma referência à sua aparência, mas uma marca de carisma que o acompanhava nos treinos e torneios. O CFZ Juiz de Fora emitiu uma nota de pesar, suspendendo as atividades e destacando a dedicação e a alegria que o menino levava para dentro das quatro linhas.
A morte de Bernardo ocorreu em meio ao caos provocado por volumes de chuva que superaram as médias históricas para o mês de fevereiro em Minas Gerais. O “e daí?” dessa tragédia reside na vulnerabilidade extrema de crianças e adolescentes diante de eventos climáticos severos. Juiz de Fora, marcada por uma topografia de muitas ladeiras e encostas, viu bairros inteiros serem engolidos pela lama, tornando as operações de resgate uma corrida contra o tempo que, infelizmente, não foi vencida no caso do pequeno atleta.
O impacto da notícia atingiu em cheio a comunidade esportiva do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Zico, que dá nome à escolinha onde Bernardo treinava, manifestou-se através de seus canais oficiais, prestando solidariedade à família e lamentando que uma vida tão jovem tenha sido ceifada de forma tão brutal. Para os colegas de equipe de “Tomatinho”, a ausência do parceiro de treinos transforma o campo de futebol, antes local de lazer, em um espaço de luto e reflexão sobre a precariedade da vida diante da fúria da natureza.
As circunstâncias exatas do óbito de Bernardo, se por soterramento ou inundação, somam-se aos relatos de outras dezenas de famílias que perderam tudo na Zona da Mata. A Defesa Civil de Minas Gerais trabalha com números que mudam a cada hora, enquanto equipes de busca e cães farejadores tentam localizar os desaparecidos sob toneladas de destroços. O caso de Bernardo destaca-se pela identificação rápida e pelo vínculo com uma instituição de alcance nacional, jogando luz sobre a escala humana da catástrofe.
A rede de solidariedade em Juiz de Fora mobilizou-se para amparar a família de Bernardo e de outras vítimas. Campanhas de doação de mantimentos, roupas e suporte psicológico foram criadas por clubes locais e associações de moradores. O trauma de perder uma criança em um desastre natural é uma ferida que exige acompanhamento de longo prazo, evidenciando que as sequelas da chuva em 2026 irão muito além das perdas materiais e da reconstrução de pontes e estradas destruídas.
O governo de Minas Gerais e a prefeitura de Juiz de Fora decretaram luto oficial, enquanto buscam recursos federais para a assistência imediata às vítimas. A morte de “Tomatinho” reacende o debate sobre a necessidade de sistemas de alerta precoce que cheguem de forma eficiente às famílias que residem em áreas de risco. Para muitos especialistas, a prevenção de perdas infantis em desastres climáticos deve ser a prioridade absoluta nos planos de adaptação das cidades brasileiras frente ao aquecimento global.
Dentro do CFZ, o armário e a chuteira de Bernardo tornaram-se memoriais improvisados por seus colegas. A imagem do menino correndo com a bola nos pés é a lembrança que os treinadores buscam preservar, tentando processar a dor de perder um aluno para uma força da natureza que ninguém pôde conter. A escolinha de Zico, que visa formar cidadãos através do esporte, agora enfrenta o desafio pedagógico de explicar aos demais alunos a partida repentina de um de seus companheiros mais alegres.
O velório de Bernardo Lopes Dutra deve reunir não apenas familiares, mas também uma legião de jovens atletas uniformizados, em uma despedida que promete ser um dos momentos mais tristes desta crise climática em Minas Gerais. A união de torcidas e clubes rivais em torno da dor da família de “Tomatinho” mostra que, em momentos de tragédia, o esporte serve como um elo de humanidade. A chuteira pendurada e o campo vazio são o retrato de uma infância interrompida pela lama que insiste em castigar o solo mineiro.
A trajetória de Bernardo, embora curta, deixou marcas de afeto em todos que com ele conviveram. Sua morte reforça a urgência de uma gestão de desastres que olhe para as vilas e bairros periféricos com o mesmo rigor técnico das áreas centrais. O nome de “Tomatinho” entra para a história triste das chuvas de 2026 como um lembrete de que, por trás de cada estatística de “morto ou desaparecido”, havia um sonho, uma bola de futebol e uma criança esperando pelo próximo treino.
Enquanto a chuva persiste na Zona da Mata, as buscas pelos desaparecidos continuam sob riscos de novos deslizamentos. A cidade de Juiz de Fora tenta se equilibrar entre o trabalho braçal de limpeza e o peso emocional das perdas humanas. A esperança de encontrar sobreviventes diminui a cada hora que passa, mas a memória de vítimas como Bernardo serve como combustível para que as equipes de resgate não desistam de trazer algum conforto às famílias que ainda esperam por notícias.
Por fim, o legado de Bernardo “Tomatinho” Lopes Dutra será a lembrança de sua paixão pelo futebol e o sorriso que iluminava os treinos no CFZ. Que sua partida não seja em vão e que motive as autoridades a buscarem soluções definitivas para que outras crianças não precisem trocar os campos de futebol pelos escombros das chuvas. O Brasil chora por “Tomatinho” e por todas as vidas perdidas na lama de Minas Gerais, esperando que a reconstrução traga, além de concreto, mais segurança para o futuro.
