TRAGÉDIA! Garoto de 12 anos morre em SC após se engasgar com pipoca

Pode uma pipoca — símbolo da infância, do cinema, da leveza — tornar-se um agente de morte? A resposta, dolorosa e inesperada, veio de Massaranduba, no Norte de Santa Catarina.

 

Matheus Eduardo da Costa, de 12 anos, morreu após três dias de internação, vítima de um engasgo em casa. Um acidente banal, corriqueiro, mas que revelou a fragilidade da linha entre rotina e tragédia.

 

O episódio começou na última terça-feira. Enquanto comia pipoca, Matheus sofreu uma parada cardiorrespiratória. A família, em desespero, tentou os primeiros socorros. Logo depois, o menino foi levado ao pronto atendimento local e, na sequência, transferido para o Hospital Jaraguá.

 

Na UTI, permaneceu ligado a aparelhos, sustentado por uma esperança cada vez mais tênue. Sua mãe, pelas redes sociais, alternava súplicas por um milagre e desabafos carregados de dor. Na sexta-feira, veio a confirmação do pior: Matheus não resistiu.

 

A morte de uma criança por engasgo não deveria ser tratada como fatalidade isolada. Ela escancara uma questão pouco debatida: a falta de preparo da maioria das famílias para agir em situações de sufocamento.

 

No Brasil, cursos de primeiros socorros ainda são vistos como supérfluos. Mas saber aplicar a manobra de Heimlich, por exemplo, pode significar a diferença entre a vida e a morte.

 

A própria narrativa do caso revela esse vácuo. A família fez o que pôde, movida pela urgência. Mas não havia protocolo, apenas instinto. E, muitas vezes, o instinto não basta.

 

As estatísticas confirmam: engasgos estão entre as principais causas de morte acidental em crianças. São acidentes silenciosos, que acontecem em segundos e raramente chegam às manchetes — até que a tragédia se torne incontornável.

 

Por que, então, não tratamos o tema com a mesma seriedade dedicada a campanhas de trânsito ou de vacinação? Talvez porque o engasgo não carrega o peso da coletividade, mas a intimidade do lar. É uma ameaça invisível, quase banal.

 

No entanto, essa banalidade é enganosa. Basta uma distração, um alimento mal mastigado, um reflexo atrasado, e a vida se interrompe. Foi assim com Matheus, poderia ser com qualquer outra criança.

 

Há aqui também um debate sobre a cultura da prevenção. Vivemos em um país onde reagir é mais comum do que prevenir. Onde tragédias individuais não se transformam em políticas públicas duradouras.

 

Se a morte de Matheus deixar algum legado, que seja o de provocar essa conversa. A de incluir no currículo escolar noções básicas de primeiros socorros. A de incentivar famílias a buscarem capacitação. A de entender que a segurança no lar vai além de trancas e grades.

 

A frase publicada pela mãe — “O não de Deus dói” — é um grito íntimo de perda. Mas, no plano coletivo, também é um lembrete cruel de como acidentes evitáveis ainda nos pegam de surpresa.

 

Não cabe aqui a busca por culpados individuais. O que cabe é olhar para o que poderia ter sido feito antes. Quantos outros “Matheus” ainda precisarão morrer para que se naturalize a ideia de que saber salvar é parte da cidadania?

 

Talvez a grande pergunta seja esta: vamos deixar que o caso de Massaranduba se perca no esquecimento ou teremos coragem de transformá-lo em ponto de partida para uma cultura de prevenção?

 

Porque, no fim, a pipoca não é vilã. O verdadeiro perigo é nossa negligência em enxergar os riscos invisíveis da vida cotidiana.

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