A notícia vinda de Cordilheira Alta, em Santa Catarina, não é sobre esporte, mas sobre a explosão da raiva e a falência da razão em um momento de lazer.
O caso de Guylherme Costa, de 37 anos, assassinado após um acidente em um jogo de futebol, é um retrato da nossa sociedade à flor da pele.
Um banco cai, atinge o pé de um adolescente. Um acidente simples, comum em qualquer campo de futebol amador.
Guylherme tentou se desculpar, agiu como qualquer pessoa faria. Mas a reação foi desproporcional.
O padrasto do garoto, em vez de aceitar o pedido de desculpas, voltou armado para o campo.
Ele transformou um mero tropeço em uma sentença de morte.
O homem atirou e executou Guylherme na frente de todos, no meio do gramado.
A cena é de um filme de terror: uma cirurgia de emergência improvisada, na grama, sob o olhar de testemunhas chocadas.
Mas a tentativa de salvamento não adiantou. Guylherme não resistiu.
O que se vê aqui é a perda total do controle. Uma raiva tão grande que anula a razão e a lei.
O padrasto, ao puxar o gatilho, não estava defendendo o filho de um ataque. Ele estava vingando um acidente.
O castigo pela pequena ofensa foi a morte, uma reação que mostra o quão baratos se tornaram a vida e o perdão.
A violência não está só nas grandes cidades; ela está incubada no dia a dia, esperando o menor pretexto para explodir.
O atirador fugiu. A lei agirá depois, mas o dano é irreversível.
O campo de futebol, que deveria ser um lugar de diversão e união, virou um palco de execução.
A morte de Guylherme Costa é um alerta de que o senso de justiça privada e o acesso fácil a armas estão transformando pequenos desentendimentos em tragédias definitivas.
A tragédia é que ele morreu pedindo perdão por algo que não foi sua culpa.
O preço da raiva, em Cordilheira Alta, foi a vida de um homem. E o trauma de uma comunidade.

