Thayse Teixeira expõe opinião sobre Vini Jr: “Eu não sou obrigada a achar ele bonito só porque é um negro”

Uma declaração aparentemente simples — dizer que não acha alguém bonito — dificilmente seria notícia. Mas quando Thayse Teixeira afirmou não achar Vini Jr. atraente, acrescentando que “não é obrigada a achá-lo bonito só porque ele é negro”, o caso se transformou em polêmica nacional.

 

A frase não foi recebida apenas como opinião pessoal. Para muitos, soou como ataque revestido de justificativa racial. A questão deixou de ser estética e passou a tocar em feridas profundas da sociedade brasileira.

 

No Brasil, a beleza nunca é neutra. Ela está atravessada por padrões históricos, coloniais e raciais que definem quem é celebrado e quem é invisibilizado. Dizer “não acho bonito” pode ser apenas gosto; acrescentar “só porque ele é negro” desloca o debate para outro terreno.

 

Ao incluir a cor na justificativa, Thayse trouxe à tona o velho dilema: quando opiniões estéticas reforçam preconceitos estruturais? Não se trata de obrigar alguém a achar belo, mas de questionar os códigos invisíveis que sustentam nossos critérios de beleza.

 

Vini Jr., além de craque em ascensão mundial, é também símbolo de representatividade. Enfrentou episódios explícitos de racismo em estádios europeus e se tornou voz ativa contra a discriminação. Seu corpo, sua imagem, carregam mais do que estética: carregam disputa política.

 

Nesse sentido, negar sua beleza com a ressalva racial não é ato isolado. É eco de uma tradição que historicamente nega a homens e mulheres negros a validação como ícones estéticos. A polêmica é sintoma de algo maior: quem define o que é belo?

 

O tribunal digital não tardou a reagir. Houve indignação, acusações de racismo velado, e também defesas de que Thayse apenas expressou uma opinião legítima. A divisão expõe como o debate sobre raça ainda é frágil e polarizador.

 

O curioso é que a própria Thayse poderia ter mantido a discussão no campo individual. Mas ao acrescentar “só porque ele é negro”, deu à fala uma carga que ultrapassa gosto pessoal. Tornou o racial justificativa explícita para a recusa estética.

 

Essa escolha de palavras é reveladora. Mostra como o racismo se manifesta muitas vezes de forma indireta, não no ataque frontal, mas na racionalização de preferências. A cor é trazida como elemento dispensável — quando, na verdade, não deveria sequer ser critério.

 

A fala também reforça o paradoxo da opinião pública. Nas redes, todos têm direito a falar, mas nem toda fala é inofensiva. Em sociedades marcadas por desigualdades, palavras carregam pesos desiguais.

 

Comparar esse caso a outras polêmicas estéticas pode parecer trivial, mas não é. Aqui, não se trata apenas de gosto, mas da forma como o gosto é condicionado por estruturas históricas. A beleza não é apenas biológica; é cultural, política, social.

 

Vini Jr., nesse embate, é mais do que jogador. Ele simboliza a luta de milhões que buscam reconhecimento além do campo esportivo. A recusa pública de sua beleza toca nessa luta, consciente ou não.

 

Thayse, por outro lado, talvez não pretendesse provocar tamanha reação. Mas a dimensão pública de suas palavras a transforma em agente de debate, queira ou não. Influência carrega responsabilidade — e esse é o ponto que muitos cobram.

 

Há quem argumente que a polêmica foi inflada pelo contexto digital, sempre ávido por controvérsias. Mas reduzir o episódio a mero “cancelamento” seria ignorar a oportunidade de discutir padrões de beleza racializados.

 

O Brasil convive com contradições profundas. É o país que exalta corpos negros no carnaval, mas discrimina esses mesmos corpos em espaços de poder e reconhecimento. O comentário de Thayse ressoa justamente nessa contradição.

 

A questão não é obrigar ninguém a achar Vini Jr. bonito. É entender por que sua beleza precisa ser negada com ênfase racial. A defesa do “direito à opinião” não elimina a responsabilidade sobre os efeitos sociais dessa opinião.

 

No fim, a polêmica não fala apenas sobre Thayse ou Vini. Fala sobre todos nós. Sobre como ainda carregamos, muitas vezes sem perceber, filtros coloniais que moldam nosso olhar.

 

O episódio serve de lembrete: opiniões estéticas podem parecer banais, mas, em contextos desiguais, tornam-se instrumentos de perpetuação de estigmas. E é por isso que geram tanta reação.

 

A pergunta que fica é desconfortável: quando dizemos que alguém não é bonito, estamos apenas falando de gosto pessoal — ou repetindo, sem saber, os padrões excludentes que herdamos?

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