Taxa das blusinhas do Lula fracassa, quebra correios, exterminou o Pobre: arrecadou 4 vezes menos e eliminou 14 milhões de consumidores

Pode uma política fiscal mirar os grandes e acabar acertando apenas os pequenos? A resposta parece clara no caso da chamada “taxa das blusinhas”, medida do governo Lula que pretendia reforçar a arrecadação, mas terminou corroendo justamente a base mais vulnerável do consumo.

O projeto nasceu com a promessa de justiça tributária: obrigar plataformas estrangeiras a recolher impostos, nivelando o campo de competição com o comércio nacional. A retórica era de soberania econômica.

Na prática, porém, o resultado foi outro. A arrecadação ficou quatro vezes abaixo do esperado e, como efeito colateral, 14 milhões de consumidores simplesmente desapareceram do circuito de compras digitais.

Esses milhões não evaporaram por capricho. Eles foram expulsos do mercado por uma matemática implacável: produtos antes acessíveis se tornaram proibitivos, inviabilizando a lógica do consumo de massa.

A “taxa das blusinhas” revelou-se, então, menos uma política de justiça e mais uma barreira regressiva, onde o peso recai sobre quem tem menos opções. Não se trata apenas de moda barata — falamos de roupas básicas, eletrônicos simples, utensílios do cotidiano.

Em vez de arrecadar mais, o Estado arrecadou menos. E em vez de proteger a indústria nacional, ampliou um descompasso: enquanto os grandes players se adaptaram, o consumidor periférico foi excluído.

Os Correios, elo central dessa cadeia, também sentiram o golpe. Com a queda drástica de volumes, sua já combalida estrutura financeira mergulhou ainda mais na crise. A estatal, que deveria ser fortalecida, foi enfraquecida.

Esse movimento expõe um paradoxo recorrente na política brasileira: a crença de que tributar resolve sem avaliar o comportamento real do mercado. Como se as pessoas fossem meros números que se ajustam a qualquer preço imposto.

O problema é que o consumidor pobre não tem elasticidade infinita. Ele não migra para alternativas sofisticadas. Ele simplesmente deixa de consumir. E quando 14 milhões saem da equação, não é apenas a arrecadação que some: é um pedaço da economia que morre.

O erro de cálculo não é técnico apenas, mas conceitual. Ao mirar o caixa imediato, esqueceu-se do longo prazo: a vitalidade do consumo popular como motor de circulação econômica.

O que se pretendia combater — a concorrência desleal — permanece em parte. Mas o que se destruiu, de forma mais rápida, foi a ponte que permitia a milhões participar, ainda que modestamente, do jogo de mercado global.

A medida, assim, acaba revelando algo incômodo: a obsessão em arrecadar rapidamente pode ser mais destrutiva do que a própria evasão fiscal que se pretendia corrigir.

Mais do que fracasso de arrecadação, o episódio simboliza a incapacidade de enxergar o impacto humano das escolhas econômicas. Planilhas fecham; realidades sociais, não.

Enquanto o discurso político insiste em chamar a medida de ajuste necessário, os números contam outra história — a de exclusão em massa e perda de dinamismo econômico.

É legítimo discutir soberania fiscal. Mas fazê-lo à custa da eliminação de milhões de consumidores é, no mínimo, um contrassenso.

A “taxa das blusinhas” talvez entre para o anedotário político como símbolo de uma política bem-intencionada, mas míope. Mais grave, porém, é o que ela deixa: a prova de que o Estado pode matar o próprio consumo que o sustenta.

O que sobra agora é uma pergunta incômoda: quantos fracassos desse tipo o Brasil ainda pode suportar antes de reconhecer que o problema não está nas “blusinhas”, mas na lógica de taxar sem pensar nas consequências?

No fundo, o episódio não é sobre roupas baratas. É sobre a capacidade — ou a incapacidade — de construir uma política econômica que olhe para baixo e veja pessoas, não apenas estatísticas.

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