Tarcísio cutuca Lula: “Troca o CEO que o Brasil volta a funcionar”

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, provocou reação ao afirmar que “troca o CEO que o Brasil volta a funcionar”.

Em publicação no X, o dirigente sugere, de forma metafórica, demitir o “gestor executivo” do país, numa alusão velada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A fala foi feita dentro de um vídeo gravado durante evento da G4 Educação, no qual Tarcísio argumenta que o Brasil não pode se limitar a exportar commodities.

Para ele, o país possui recursos estratégicos — como terras raras e energia —, mas falta investimento em produção de tecnologia de alto valor agregado.

O governador defende que parte da cadeia produtiva precisa ser instalada no Brasil, com foco em semicondutores e datacenters.

Outro ponto citado por Tarcísio é a capacitação da mão de obra para trabalhar com inteligência artificial, tecnologia que, segundo ele, poderia transformar setores como saúde e segurança pública.

Ele afirmou que, com políticas corretas, o Brasil pode deixar de ser apenas um exportador de matérias-primas e se tornar protagonista em economia do conhecimento.

A declaração repercutiu com força nas redes e na esfera política, e a oposição reagiu com críticas.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, respondeu que “o Brasil não precisa de um CEO, precisa de um líder”, referindo-se ao presidente Lula.

Já Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do governo na Câmara, afirmou que a fala de Tarcísio “reproduz exatamente a lógica empresarial com que enxerga o Brasil”.

Segundo Lindbergh, tratar o país como uma empresa é limitar a visão da administração pública a uma gestão puramente técnica, sem considerar a dimensão social.

Ele também aproveitou para criticar a segurança pública do estado de São Paulo, sob a gestão de Tarcísio, chamando o balanço de “catastrófico”.

No vídeo, Tarcísio afirma que “tem que demitir o CEO” para que o Brasil implemente uma nova estratégia econômica e tecnológica.

Ele aponta que a inteligência artificial pode avançar em setores-chave, por meio de políticas públicas mais ambiciosas.

Tarcísio defendeu também que o Brasil deve aproveitar sua posição como produtor de energia para atrair indústrias de alto valor agregado.

Sobre o uso da IA, ele disse: “a I.A vai ser tudo e a gente precisa de mão de obra capacitada.”

Para ele, a transformação econômica do país depende de investimentos em tecnologia, educação e infraestrutura, não apenas da exploração de recursos naturais.

A fala de Tarcísio surge em um momento de especulação sobre sua possível candidatura presidencial em 2026, embora ele tenha afirmado que pretende disputar a reeleição para o governo de São Paulo.

A declaração também reacende o debate sobre o papel do Estado: segundo o governador, o Brasil precisa de “gestão mais empresarial”, enquanto críticos defendem que administração pública exige liderança democrática.

A provocação de Tarcísio destaca tensões entre visões diferentes de país: uma orientada por empreendedorismo e tecnologia, outra centrada na liderança política tradicional e no papel social do governo.

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