Suzane Richthofen processa roteirista de ‘Tremembé’, Ullisses Campbell

Suzane von Richthofen tem movido uma nova ação judicial contra o roteirista Ullisses Campbell, responsável por adaptar sua história na série do Prime Video Tremembé: A Prisão dos Famosos. A produção resgatou em grande evidência a figura de Suzane, o que teria motivado a abertura do processo.

De acordo com Campbell, ele já foi alvo de diversas ações movidas por Suzane ao longo dos anos, todas, segundo ele, sem sucesso na Justiça.O roteirista afirma que a detenta tentou impedir a publicação de seus livros e até barrar a veiculação da obra audiovisual.

A acusação central no processo é o uso indevido de imagem e a forma com que a série retrata a vida da ex-detenta durante o período em que esteve presa em Tremembé. Suzane alega que sua história está sendo explorada para fins comerciais, sem seu consentimento adequado.

Campbell, por sua vez, argumenta que sua investigação jornalística e as obras derivadas — entre elas livros e o roteiro da série — estiveram sempre no campo informativo, sem ultrapassar os limites da liberdade de expressão.  Segundo ele, parte dos processos movidos por Suzane tinha como objetivo restringir sua produção literária ou audiovisual.

O roteirista ainda aponta para uma postura contraditória por parte de Suzane: ele diz que ela critica publicamente a série, mas, paralelamente, teria se beneficiado diretamente da repercussão. “Ela fica naquela: ‘eu te odeio’, mas, ao mesmo tempo, ‘consigo faturar com isso’”, afirma Campbell.

Campbell destaca que a visibilidade proporcionada pela série levou a um crescimento expressivo na conta comercial de Suzane nas redes sociais. Segundo ele, ela tinha cerca de 50 mil seguidores antes da estreia da produção e dobrou esse número após a repercussão.  Ele afirma ainda que, com esse aumento, o comércio de itens personalizados por ela teve uma expansão considerável.

Não é a primeira vez que Suzane entra em disputa judicial com Campbell. Em uma das últimas ações, ela pleiteava uma indenização por danos morais no valor de R$ 60.720, alegando que o jornalista tinha divulgado conteúdo ofensivo, como referências à sua personalidade — segundo sua versão —, com termos como “ilustre psicopata”. Porém, a Justiça rejeitou seu pedido, considerando que as publicações de Campbell têm relevância jornalística e se fundamentam em fatos públicos.

Na sentença, a juíza responsável avaliou que a expressão utilizada nas redes sociais não caracterizava necessariamente uma agressão moral, especialmente diante do perfil público do caso e do amplo conhecimento nacional sobre o crime dos pais von Richthofen.

O conflito litiga também sobre a representação de Suzane na série. Campbell explicou, em entrevista, que os laudos psicológicos obtidos por ele sugerem um comportamento complexo: segundo testes como o Rorschach, Suzane demonstrou arrependimento pela morte da mãe, Marísia, mas não teria expressado o mesmo em relação ao pai, Manfred.  Ele reforça esses pontos com relatos de ex-colegas de cela, que dizem ter escutado dela essa diferenciação de sentimentos.

A série Tremembé, lançada em 31 de outubro de 2025, é baseada em dois livros de Campbell — Suzane: Assassina e Manipuladora e outro sobre Elize Matsunaga —, e é ambientada na penitenciária de Tremembé, onde se entrelaçam histórias de presos de grande repercussão.

Campbell reforça que, ao longo da construção da série, houve preocupação com os limites jurídicos. Segundo ele, uma equipe legal revisou o roteiro para evitar violações de imagem ou de privacidade.  Esse cuidado evitaria possíveis novas disputas judiciais, especialmente com Suzane, que já demonstrou disposição para litigar.

Para o roteirista, o caráter informativo de seus textos e roteiros justifica o uso de sua abordagem sobre a trajetória criminal de Suzane. Ele defende que não há sensacionalismo gratuito, mas sim um esforço para reconstruir os eventos históricos de forma contextualizada.

Do ponto de vista de Suzane, entretanto, a exposição midiática teria limites que, em sua visão, estão sendo ultrapassados. A ex-detenta sustenta que a dramatização de sua vida privada e seus momentos na prisão configuram uma exploração financeira de sua imagem.

Segundo relatos de Campbell, Suzane não apenas contestou judicialmente a publicação de livros, mas buscou obstruir legalmente a divulgação de partes da série antes mesmo de sua estreia.  Apesar de suas tentativas, até agora, ela não conseguiu paralisar a produção nem obter indenizações significativas.

Essa nova ação se soma a outras nas quais Suzane já se envolveu. Em outro processo anterior, buscou impedir a circulação do mesmo tipo de trabalho, alegando violação de direitos, mas foi derrotada em instância judicial.

A disputa entre Suzane e Campbell reflete uma tensão recorrente em casos de true crime: até que ponto a vida de pessoas envolvidas em crimes pode ser contada sem ferir sua dignidade, especialmente após cumprirem pena ou cumprirem parte dela.

Especialistas em direito e liberdade de imprensa acompanham esse caso com atenção, pois ele pode render precedentes importantes sobre biografias não autorizadas e adaptações dramatizadas da vida real.

Enquanto isso, o público segue assistindo a Tremembé como uma forma de reviver o crime von Richthofen, ao mesmo tempo em que a protagonista real trava uma guerra judicial contra quem narra sua história.

A série já provocou debates sobre justiça, memória e responsabilidade ética na representação de criminosos famosos, temas centrais para a repercussão do processo.

O desfecho judicial desse novo capítulo entre Suzane von Richthofen e Ullisses Campbell ainda é incerto, mas sua repercussão evidencia a complexidade de transformar fatos reais em narrativa audiovisual com impacto popular.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Wanessa Camargo fala sobre possível volta com Dado Dolabella

Caso Yasmin: Suspeito comparece ao velório enquanto investigação avança em Carnaíba