Sofrendo retaliação do governo Lula: IBGE quer dizer a verdade, que tudo piorou

A partir de checagens de fatos e análises de fontes jornalísticas independentes, não há evidência oficial de que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tenha anunciado qualquer mudança metodológica formal para classificar automaticamente beneficiários do Bolsa Família como desempregados. Informações que circulam nas redes sociais alegando que isso seria uma “retaliação do governo Lula” e que tais alterações poderiam “piorar números maquiados do governo” foram identificadas como enganosas ou falsas por agências de checagem de fatos.

O debate sobre a taxa de desemprego no Brasil envolve, de fato, diferentes interpretações sobre como a metodologia do IBGE considera as pessoas na força de trabalho. A taxa oficial é calculada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-Contínua), que classifica como desempregados apenas aqueles que têm idade para trabalhar, não estão empregados e estão efetivamente procurando emprego. Pessoas que não trabalham e não procuram são consideradas fora da força de trabalho e não entram no cálculo da taxa de desemprego.

As publicações mais amplamente compartilhadas nas redes afirmam que o IBGE estaria omitindo deliberadamente os beneficiários do Bolsa Família, para reduzir artificialmente a taxa de desemprego e favorecer politicamente o governo federal. Essa narrativa ganhou tração paralelamente a críticas de algumas figuras políticas e colunistas sobre a confiabilidade das estatísticas oficiais.

No entanto, a checagem mostra que o simples fato de uma pessoa receber Bolsa Família não altera sua classificação de acordo com as normas do IBGE. Isso porque o recebimento de um benefício social não é critério para definir emprego ou desemprego: indivíduos beneficiários podem ser classificados como ocupados, desocupados ou fora da força de trabalho, dependendo exclusivamente de sua situação de trabalho na semana de referência da pesquisa.

O IBGE, em comunicado citado pela checagem, esclareceu que situações como trabalho informal, busca ativa por emprego ou ausência de procura por trabalho são os fatores que determinam se um indivíduo está ocupado ou desocupado no mercado de trabalho, independentemente de programas sociais.

A circulação de alegações de manipulação de dados estatísticos ocorre num contexto em que o órgão enfrenta, internamente, críticas e disputas políticas sobre sua gestão, mas essas disputas não se traduziram em uma mudança oficial da metodologia de cálculo da taxa de desemprego, nem em instruções para “classificar beneficiários como desempregados”.

Especialistas em estatística e economia ressaltam que metodologias como a utilizada pela PNAD-Contínua seguem recomendações internacionais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e são aplicadas de maneira padronizada há anos, com ajustes apenas técnicos e não direcionados para favorecer qualquer governo.

O debate político sobre a confiança nas estatísticas oficiais, incluindo a discussão sobre desemprego, é antigo e atravessou diferentes governos no Brasil, com críticas tanto de figuras da oposição quanto de apoiadores da gestão atual. Ainda assim, o consenso entre analistas técnicos é que a metodologia de cálculo permanece pública, transparente e acessível para verificação e auditoria independentes.

Portanto, embora exista desinformação circulando sobre supostas mudanças drásticas no cálculo das taxas de desemprego ligadas ao Bolsa Família, essa narrativa não encontra respaldo nas fontes oficiais ou em avaliações independentes até o momento.

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