O cancelamento do show de Kanye West (agora Ye) em São Paulo, motivado pela revogação da liberação do Autódromo de Interlagos e por um alerta do Ministério Público de São Paulo (MPSP), é um caso clássico de como a ambição de um evento de grande porte pode colidir com a rigidez da burocracia e a segurança pública no Brasil. Não se trata apenas da frustração dos fãs, mas de uma falha crítica na previsibilidade logística dos grandes eventos.
O Conflito Entre a Arte e a Burocracia
O fato de um local com o histórico de Interlagos, palco de eventos internacionais como o Grande Prêmio de Fórmula 1 e o Lollapalooza , ter sua liberação revogada sugere um desalinhamento grave entre os organizadores do evento e as autoridades reguladoras. A revogação, combinada com a intervenção do MPSP, indica que houve um desrespeito a cláusulas essenciais – seja de segurança, ruído, ou capacidade operacional – que foram negligenciadas ou subestimadas.
O ceticismo nos obriga a perguntar: Por que a decisão final sobre a inviabilidade do local só é tomada quando o evento está na iminência de acontecer? Essa cronologia tardia demonstra uma ineficiência na fiscalização prévia e um risco desnecessário tanto para o público quanto para os promotores.
⚠️ O Alerta do MPSP e o Foco na Segurança
O envolvimento do MPSP eleva a questão de uma disputa administrativa para uma preocupação de ordem pública. O Ministério Público atua como o guardião difuso dos direitos coletivos, e sua intervenção sinaliza que os riscos identificados (provavelmente relacionados à superlotação, fluxo de pessoas ou impacto ambiental) eram inaceitáveis.
O “e daí” para o mercado de shows no Brasil é que o cancelamento de um artista de calibre global como Ye impõe um prejuízo financeiro e de reputação significativo. Isso reforça a imagem de um país onde a legislação é complexa e a aplicação é imprevisível, tornando-se um fator de risco para investidores e produtores internacionais. A realização de eventos de grande escala exige uma matriz de risco que vá além da venda de ingressos.
O Prejuízo da Imprevisibilidade
O incidente em São Paulo é um lembrete de que a realização de eventos de massa é uma responsabilidade compartilhada que não pode ser tratada com improviso. O custo do cancelamento – que inclui reembolso, perdas logísticas e danos à imagem da cidade – é o preço da negligência em garantir a licença e a segurança com a devida antecedência. O espetáculo, por mais desejado que fosse, cedeu lugar à necessidade inegociável da lei e da ordem.
Eu posso pesquisar sobre o histórico recente de cancelamentos de grandes eventos em Interlagos e os motivos alegados pelas autoridades.

