Você acreditaria se alguém lhe dissesse que o favorito já está vencendo antes de a corrida começar — e que isso pode ser exatamente o problema?
A recente sondagem do Paraná Pesquisas mostra que Lula lidera todos os cenários simulados para o primeiro turno da eleição de 2026.
No cenário com Michelle Bolsonaro, por exemplo, Lula atinge 37,3% contra 28% dela.
Mesmo enfrentando Tarcísio de Freitas, aparece com 37,4% ante 22,3% de Tarcísio.
Entretanto, há um detalhe facilmente negligenciado: 37% não é 50% + 1.
E aí mora o paradoxo.
A primeira implicação: liderar com 37% implica vulnerabilidade — uma fatia significativa do eleitorado permanece indecisa ou inclinada ao “nenhum/branco/nulo” (em torno de 5 % a 7 %). segundo lugar, a vantagem frente aos adversários relativamente baixos transforma-se em alvo: adversários ainda têm “espaço de crescimento”.
Se a disputa definir-se em torno de nichos, quaisquer surpresas — crise econômica, escândalo — podem inverter o cenário.
Além disso, a expectativa de “fôlego para vencer no primeiro turno” cria armadilhas estratégicas: o favorito pode relaxar, ou ser visto como inevitável, o que motiva a oposição a unir-se ou intensificar mobilização.
Há ainda um aspecto estrutural: o eleitor que hoje opta por “não sabe” ou “nenhum” (cerca de 6 %) tende a se posicionar — e quase sempre numa virada, não numa consolidação. Ou seja: esse contingente pode inclinar-se tanto para o líder quanto para o “anti-sistema”.
Lula vice-lídera agora, mas este eleitor volátil é quem definirá constrangimentos ou vitórias no futuro.
Outro risco: este cenário esconde a heterogeneidade regional e social. A média nacional indica liderança, mas os mapas eleitorais mostram fissuras — regiões menos afetadas pelas políticas de seu governo ou setores que se sentem à margem podem reagir com impulso contrário.
Liderar agora não significa uniformidade de apoio.
Significa: ter maior exposição.
E então vem a grande pergunta: e se o inesperado acontecer?
Mudanças de humor social, escândalos, crises ou até uma candidatura emergente podem alterar o panorama. A própria margem de erro da pesquisa (2,2 pontos) e o nível de confiança (95 %) lembram que pesquisas simuladas são “snapshot” e não destino irrevogável.
Por fim, a vitória de Lula — ainda que provável segundo os números — não será simplesmente fruto de liderança hoje, mas da sua capacidade de converter essa vantagem em base sustentável até o pleito, fechando as portas para surpresas.
Se não for assim, liderar cedo poderá revelar-se mais risco do que trunfo.
Este desenho nos força a reflexionar: a vantagem numérica aparente é confortável — mas também propõe obrigações que o favorito costuma ignorar.
E, no fundo, a eleição de 2026 não será decidida pelo “quem lidera agora”, mas por quem se prepara fora dos holofotes para reagir ao imprevisível.
O que você acha? A liderança de Lula hoje é sinônimo de tranquilidade para o próximo ciclo político — ou um aviso vermelho de que o jogo ainda está completamente em aberto

