Segundo o governador do Rio, o governo Lula recusou auxílio de blindados das forças armadas para operação

O governador do Estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmou que o governo federal, liderado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), recusou três pedidos de apoio logístico das Forças Armadas para atuação em operações de segurança pública no estado. Segundo Castro, os pedidos incluíam o uso de blindados, mas teriam sido negados por não haver decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) (GLO).

Em coletiva de imprensa, o governador classificou a situação como “uma operação maior do que a de 2010” e disse que o Rio de Janeiro “está sozinho nessa luta” contra o crime organizado.  Ele afirmou que, ao longo de seu mandato, esforços para conseguir apoio federal foram sistematicamente rejeitados.

Os ofícios enviados pelo governo estadual em janeiro de 2025 solicitavam o empréstimo de veículos blindados da Marinha e apoio de operadores, mas segundo o estado, foram negados com a justificativa de que seria necessária a decretação de GLO.  Em seu relato, Castro disse que representantes das Forças Armadas teriam informado que, sem GLO, não poderiam ceder os equipamentos e recursos humanos federais.

No entanto, o governo federal oferece outra versão: o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou que até aquele momento não havia recebido nenhum pedido formal por parte do governador para envio de blindados ou ativação de GLO para essa operação. Essa divergência coloca em evidência a tensão institucional entre os níveis estadual e federal no enfrentamento da violência no estado.

Para especialistas em segurança pública, o episódio revela falhas de articulação intergovernamental e põe em foco o limite entre competência estadual e federal em operações de alto risco. O instrumento da GLO exige reconhecimento de esgotamento das forças policiais estaduais e decreto presidencial, o que torna seu uso excepcional.

O governador afirmou que a operação desencadeada no Complexo do Alemão e no Complexo da Penha — realizada por mais de 2,5 mil agentes das forças de segurança fluminenses — enfrentou facções com poder bélico elevado e que mereceria “apoio que ainda não recebemos”.  A ação deixou dezenas de mortos e consolidou-se como a mais letal da história recente do estado.

A divergência de versões entre o governo estadual e o federal acendeu debates sobre quem detém a responsabilidade final pela coordenação desse tipo de ação. A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (SRI), manifestou-se destacando que “a articulação entre forças de segurança no combate ao crime organizado” precisa ser mais intensificada e que o apoio não pode se limitar ao fornecimento de armas ou equipamentos.

Do ponto de vista do direito constitucional, a ativação da GLO implica competência federal e pressupõe o esgotamento das capacidades estaduais de segurança pública. O ministro Lewandowski enfatizou que o procedimento exige reconhecimento por parte do governador da “falência” das instituições estaduais de segurança ou situação comparável.

Para analistas, a acusação de que o governo federal negou auxílio coloca em risco a percepção de unidade no enfrentamento das facções criminosas no Rio. Por outro lado, a versão de que nenhum pedido foi formalmente feito sugere falhas no protocolo de comunicação entre os entes federativos. Essa tensão pode comprometer a efetividade das operações futuras.

Em âmbito prático, a ausência ou demora em articular apoio de entidades federais em operações estaduais tem implicações diretas: acesso limitado a recursos, logística reduzida, menos inteligência compartilhada e potencial maior de danos colaterais, segundo a avaliação de especialistas ouvidos por veículos especializados.

No campo político, a cobrança feita por Castro ao governo federal alimenta uma narrativa de abandono estadual, reforçando divisões partidárias e acuando o Executivo federal quanto à responsabilidade na segurança pública fluminense. A ministra Gleisi reagiu à crítica e ressaltou que as forças federais precisam participar desde o planejamento, e não apenas no envio de recursos pontuais.

Para a população das regiões afetadas, o episódio traz à tona insegurança adicional: além da violência cotidiana, cresce a percepção de que o aparato estatal não está plenamente integrado para atuar em crise. A sensação de isolamento frente a grandes operações reforça sentimentos de vulnerabilidade.

A mídia registra, ainda, que o intercâmbio de documentos oficiais — como ofícios que teriam sido enviados pelo governo estadual e as negativas da Marinha — mostra que o impasse envolve tanto aspectos técnicos (como GLO, recursos humanos, blindados) quanto políticos (quem autoriza, quem coordena).

Diante disso, especialistas em segurança pública lembram que a solução para atuação efetiva não reside apenas em mais blindados ou tropas federais, mas em planejamento integrado, inteligência compartilhada, ações contínuas de prevenção e articulação entre esferas federativas.

No balanço institucional, o Rio de Janeiro enfrenta um dilema complexo: por um lado, a necessidade de reforço operacional; por outro, a limitação constitucional da atuação federal sem instrumentos formais como a GLO. A saída passa por diálogo claro, protocolos definidos e cumprimento das normativas vigentes.

Cabe observar que nos anos anteriores já houve emprego de blindados e tropas federais em operações semelhantes no estado, mediante decreto da GLO ou ação federal coordenada, o que torna o contraste com o cenário atual ainda mais visível.

Em resumo, o estado do Rio de Janeiro reivindica suporte que, segundo seu governo, foi negado três vezes pelo governo federal. O Executivo federal, por sua vez, afirma não ter recebido solicitação formal. Essa divergência traz à tona não apenas conflitos de atribuição, mas riscos à eficácia das operações que visam combater o crime organizado.

A expectativa agora recai sobre os próximos passos: se haverá formalização de pedidos, se o governo federal revisitará o tema de cooperação, ou se o estado buscará estratégias alternativas de enfrentamento com os recursos que possui. A vigilância sobre os desdobramentos será crucial para entender como o país lidará com operações de segurança de alto impacto.

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