Um novo e relevante estudo no campo da neurociência está redefinindo o entendimento sobre as fases de desenvolvimento do cérebro humano, sugerindo que a adolescência pode se estender até os 30 anos e mapeando outras quatro fases cruciais na vida adulta.
A pesquisa desafia as convenções socioculturais e biológicas tradicionais, que delimitam a adolescência ao final da segunda década de vida, e propõe uma nova leitura sobre a maturação cerebral.
Tradicionalmente, a adolescência é encerrada com a idade legal de 18 anos ou com o final do desenvolvimento puberal. No entanto, o novo estudo foca na maturação completa do cérebro, especialmente em áreas cruciais para o planejamento, a tomada de decisões, o controle de impulsos e a avaliação de riscos – funções executivas majoritariamente associadas ao córtex pré-frontal.
Maturação Tardada: A pesquisa indica que o córtex pré-frontal continua a sofrer mudanças significativas de mielinização e conectividade até por volta dos 30 anos. Isso significa que a capacidade máxima de ponderação, estabilidade emocional e pensamento de longo prazo só é plenamente alcançada no início da terceira década de vida.
Implicações Sociais: Esta redefinição tem enormes implicações para o entendimento de comportamentos de risco, a idade ideal para decisões de carreira ou familiares, e até mesmo para o sistema legal e a responsabilidade criminal de jovens adultos.
Além de estender a adolescência, o estudo mapeia um modelo de desenvolvimento cerebral que organiza a vida adulta em cinco fases distintas, cada uma com suas características de conectividade, plasticidade e vulnerabilidade:
Infância/Pré-Adolescência (Até o início da Puberdade): Rápido desenvolvimento motor e de linguagem.
Adolescência Estendida (Aproximadamente até os 30 anos): Fase de remodelação sináptica intensa, alta neuroplasticidade, mas também maior vulnerabilidade a transtornos mentais.
Jovem Adulto (Aproximadamente 30 aos 40-50 anos): Período de estabilidade cognitiva máxima e eficiência nas funções executivas.
Meia-Idade (Aproximadamente 50 aos 60-70 anos): Início de mudanças sutis na conectividade, com potencial para neurogênese e aprendizado contínuo.
Velhice (A partir dos 70 anos): Acentuação da atrofia e declínio cognitivo, embora a reserva cognitiva (construída ao longo da vida) possa adiar o impacto funcional.
O “e daí” desse estudo é a sua capacidade de transformar políticas públicas e a forma como a sociedade enxerga a transição para a vida adulta:
Educação e Carreira: A necessidade de sistemas educacionais e profissionais que suportem a alta plasticidade e a vulnerabilidade da faixa etária até os 30 anos.
Saúde Mental: A concentração de transtornos mentais (como esquizofrenia e transtorno bipolar) na adolescência estendida exige mais recursos para o diagnóstico e intervenção precoce nessa faixa etária.
Legal e Social: Questionamentos sobre a concessão de crédito, responsabilidade militar e outras decisões que exigem maturidade plena aos 18 anos.
A neurociência, com este estudo, oferece uma bússola biológica que pode guiar a reestruturação das expectativas sociais e institucionais, reconhecendo que a maturidade não é um interruptor que se acende aos 18 anos, mas um processo contínuo que se estende por mais de uma década.

