“Se eu falar algo, o Ministro (Moraes) me mata ou me prende”, disse Tagliaferro em mensagens de Whatsapp para esposa

O caso envolvendo o ex-assessor do Eduardo Tagliaferro e o ministro Alexandre de Moraes veio à tona no ano passado e reacendeu um debate profundo sobre poder, coerção e autonomia dentro do sistema judicial brasileiro. Em conversas particulares de 2024 com a esposa, o perito expressou receios gravíssimos sobre segurança pessoal, afirmando categoricamente: “Se eu falar algo, o Ministro me mata ou me prende” — uma frase em que misturou medo, revolta e frustração ao lidar com a pressão de estar no centro de um processo delicado.

Tagliaferro trabalhou por cerca de um ano na Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sendo diretamente subordinado ao ministro. Seu papel envolvia investigar perfis em redes sociais, produzir relatórios sobre desinformação e fornecer subsídios para decisões judiciais, uma função que o levou a trocar mensagens com auxiliares do ministro através do aplicativo WhatsApp. Em março de 2024, já pressionado pelos eventos que viriam à tona mais tarde, o ex-assessor revelou à esposa seu desejo de “contar tudo sobre Brasília” antes de qualquer outra consequência — gesto que revela o peso psicológico que o envolvimento no caso lhe causou.

O episódio pertence ao que ficou conhecido popularmente como “Vaza Toga”, conjunto de vazamentos que expôs conversas e áudios internos do gabinete de Moraes. As mensagens revelaram ordens supostamente informais para que Tagliaferro produzisse relatórios sobre figuras políticas críticas ao Ministério Público e ao Judiciário, fugindo, segundo especialistas, do devido processo legal. Tais documentos teriam servido, posteriormente, como base para decisões que incluíram bloqueios de passaportes, quebras de sigilo bancário e exclusão de perfis nas redes sociais de determinados alvos.

No diálogo com a esposa, Tagliaferro citou diretamente que o ministro era capaz de “mandar prendê-lo de novo”, comparando a si mesmo a Mauro Cid, antigo ajudante do ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi alvo da Polícia Federal por um comentário feito em um grupo privado e chegou a ser preso por ordem do ministro. “Ele prende, ele solta, quando quiser, como quiser”, afirmou em uma das mensagens. Segundo especialistas em direito, expressões desse tipo são comuns em situações nas quais servidores públicos percebem crise de confiança institucional, sobretudo quando julgam que suas ações, ainda que legais, podem ser reinterpretadas como ofensivas ao cargo de uma autoridade superior.

A repercussão política do caso foi intensa. O Senado Federal convocou uma audiência pública sobre o tema, em que Tagliaferro expôs o que denominou de perseguição política e tentativa de controle ideológico sobre suas atividades. Ele alegou que o gabinete do ministro exigia relatórios específicos contra figuras ligadas à direita, enquanto ignore outras ameaças identificadas igualmente graves. A seguir, passou a revelar que tinha dos Estados Unidos contatos para entregar documentos sobre sua experiência no TSE, e que já havia sido ameaçado pelo simples fato de possuir essas informações.

A tensão aumentou quando Moraes manteve a notificação de Tagliaferro por edital, após ignorar um pedido de carta rogatória feito pela defesa. Segundo o ministro, o ex-assessor estaria tentando evitar seu retorno ao Brasil de forma deliberada para escapar da investigação. O julgamento poderá definir se ele se tornará réu por crimes como coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Por seu lado, a defesa de Tagliaferro insistiu que “não havia nada a esconder”, sustendo que seu cliente teria sido alvo de perseguição política e que o inquérito extrapolou os seus limites constitucionais. Em nova nota, afirmaram que o perito sempre pautou sua atuação na “lealdade e na legalidade” e que pretende “denunciar onde puder” aquilo que considera violações cometidas pelo gabinete de Moraes. Já a Procuradoria-Geral da República (PGR) analisa os indícios e deve decidir, nas próximas semanas, se oferece denúncia formal ou arquiva o caso.

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