Revoltante!Bolsonaro gastou R$ 27 milhões em 4 anos, Lula já gastou R$ 1, 8 bilhões no cartão corporativo


O uso de cartões corporativos por chefes do Executivo no Brasil voltou a atrair atenção pública e debate político nos últimos anos, impulsionado pela divulgação de dados de despesas e comparações entre diferentes mandatos presidenciais. Esses instrumentos, usados para custear despesas oficiais, como alimentação, hospedagem e transporte, concentram gastos que, em muitos casos, são classificados como sigilosos e não detalhados em notas fiscais.

Dados compilados a partir de informações de transparência governamental e reportagens jornalísticas mostram que, durante o mandato de Jair Bolsonaro (2019-2022), os gastos realizados por meio do cartão corporativo da Presidência da República totalizaram aproximadamente R$ 27,6 milhões em quatro anos. Essa soma considera o período completo dos últimos quatro anos de governo do ex-presidente.

No levantamento divulgado, as despesas de Bolsonaro incluíram pagamentos a hotéis, restaurantes e outros serviços vinculados à agenda oficial da Presidência, com destaque para hospedagens e alimentação em viagens.

O então presidente chegava a comentar publicamente as contas, defendendo que o valor total era inferior ao de governos anteriores, e afirmava que “nunca paguei um picolé, nunca saquei (…) Eu estou com os extratos bancários aqui”. Essa declaração foi registrada durante evento nos Estados Unidos após os dados se tornarem públicos.

A divulgação desses números só foi possível em razão de decisões administrativas e judiciais, que determinaram a liberação de informações antes mantidas sob sigilo de 100 anos por alegações de segurança.

Por outro lado, informações recentes indicam que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva tem registrado níveis muito mais elevados de gastos com cartões corporativos desde o início do atual mandato. Levantamentos divulgados pela imprensa e por órgãos de controle apontam que, até o final de 2025, os dispêndios acumulados ultrapassaram a casa de R$ 1,4 bilhão.

Esses valores são resultados de despesas registradas entre 2023 e 2025, com rubricas que incluem pagamentos a empresas de serviços, materiais de construção, aplicativos de entrega e outras categorias, muitas das quais estão sob classificação de sigilo, segundo informações públicas.

A diferença entre os governos é substancial quando comparada em termos nominais: enquanto Bolsonaro gastou cerca de R$ 27,6 milhões ao longo de quatro anos, o montante relacionado a Lula já supera R$ 1,4 bilhão em pouco mais de três anos.

Especialistas em administração pública e transparência ressaltam que parte considerável desses gastos é classificada como “reservada” ou sigilosa, o que significa que detalhes sobre os beneficiários e os serviços contratados não são divulgados integralmente ao público.  

De acordo com levantamentos mais recentes, em 2025, por exemplo, os gastos com cartões corporativos pelo governo federal foram estimados em R$ 423 milhões, valor que inclui despesas no âmbito da Presidência da República e demais órgãos federais.

Essa magnitude de despesas gerou questionamentos por parte de parlamentares da oposição e de setores da sociedade civil, que cobram maior transparência e explicações detalhadas sobre a necessidade e o propósito de cada item gasto com recursos públicos.

Em contrapartida, representantes do Executivo justificam parte desses dispêndios como relacionados a “agenda institucional” e “logística de governo”, incluindo viagens oficiais e compromissos internacionais que exigem suporte de equipe e atividades de representação.

O Tribunal de Contas da União (TCU) também tem emitido alertas sobre a falta de detalhamento nas informações prestadas ao público e a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de controle dos gastos pelo cartão corporativo, especialmente os classificados como sigilosos.  

Os próprios registros disponíveis indicam que mais de 99% das despesas dessa natureza podem estar sob sigilo, o que limita a possibilidade de fiscalização e de compreensão por parte dos contribuintes sobre como esses recursos estão sendo usados.  

Analistas ressaltam que essa realidade dificulta comparações mais precisas entre governos, já que a proporção de gastos públicos que permanece confidencial é muito alta e, na maioria dos casos, não torna pública a relação de fornecedores e serviços adquiridos.  

Em termos históricos, comparações com mandatos anteriores mostram que, mesmo ajustados pela inflação, alguns predecessores de Bolsonaro e Lula tiveram gastos expressivos com cartões corporativos, mas os valores nominais e acumulados nos anos mais recentes apresentam uma tendência de aumento.

Enquanto isso, parlamentares oposicionistas têm utilizado esses números como ponto de crítica à administração atual, argumentando que os altos gastos em um contexto de restrições orçamentárias podem representar prioridades desalinhadas com interesses sociais mais amplos.  

Por outro lado, apoiadores do governo destacam que despesas com cartões corporativos fazem parte do funcionamento regular do Estado e que comparações simples entre períodos diferentes podem não refletir a complexidade das necessidades institucionais de cada contexto.  

O debate sobre o uso de cartões corporativos no Brasil, portanto, segue sendo um tema relevante no cenário político e administrativo, que envolve transparência, controle social e a definição de limites para despesas públicas.  

Especialistas em finanças públicas afirmam que o aperfeiçoamento dos mecanismos de prestação de contas é essencial para que a sociedade compreenda melhor o destino de recursos e a eficácia das políticas implementadas.  

À medida que mais dados se tornarem públicos e acessíveis por meio de sistemas oficiais de transparência, espera-se que essa discussão evolua para práticas mais claras e detalhadas de accountability.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Após convite do PT, Jean Wyllys retorna ao país para disputar mandato federal e apoiar “reconstrução” do Brasil

Jogada de José Mendonça tirou tudo das mãos de Xandão