O Partido dos Trabalhadores (PT), por meio do senador Humberto Costa (PT-PE), divulgou nota oficial nesta semana expressando veemente repúdio à aproximação de embarcações militares dos Estados Unidos da costa venezuelana.
O documento, elaborado pelo secretário nacional de Relações Internacionais do PT, ressalta que o Brasil deve manter sua tradição de defesa da soberania e da diplomacia pacífica, em consonância com os princípios do direito internacional.
Na nota, o senador declara: “Não aceitamos ameaças, nem tão pouco (sic) atos violentos contra a Venezuela”, evocando a Carta das Nações Unidas como alicerce para o respeito mútuo entre nações.
Em seguida, enfatiza-se o desejo de que “nossa região queira permanecer um exemplo ao mundo de convivência pacífica e cooperação, baseada no diálogo respeitoso”, reforçando o compromisso com os instrumentos multilaterais.
O texto também conclama à serenidade: “Neste momento, é imperativo que prevaleça a serenidade. Ameaças e atos violentos desrespeitam a nossa tradição do diálogo e da construção de soluções pacíficas para os problemas da América do Sul.”
O contexto dessas manifestações é a escalada de presença militar norte-americana na região do sul do Caribe, com o deslocamento de mais uma embarcação de guerra.
Um destróier com capacidade de defesa aérea e lançamento de mísseis de longo alcance atravessou o Canal do Panamá, somando-se às sete unidades já alocadas naquela área.
Além disso, um submarino de ataque rápido, movido a energia nuclear, foi enviado àquela faixa marítima, totalizando aproximadamente 4.500 militares envolvidos nessa operação.
O posicionamento do PT ocorre em meio à justificativa apresentada por Washington de que tais medidas visam combater cartéis e facções terroristas estrangeiras ameaçando o hemisfério sul.
Stephen Miller, chefe de gabinete de Donald Trump, foi citado como defensor dessa operação militar sob o pretexto de ações antinarcóticos.
A decisão dos EUA de intensificar sua mobilização no Mar do Sul do Caribe gerou reações adversas de governos aliados da Venezuela e rejeição de líderes como Maduro, que classificou a medida como uma ameaça sem precedentes.
O governo brasileiro, por sua vez, tem monitorado o cenário com cautela, mantendo o Itamaraty e o Exército atentos ao desenvolvimento dos eventos, ainda que sem definir uma resposta oficial ou intervenção.
Apesar da proximidade geográfica e histórica, considera-se que transitar para uma atuação diplomática mais incisiva dependerá do escalonamento da tensão e de um consenso político interno.
Analistas enfatizam que o cerco naval pode se configurar mais como uma demonstração de força do que uma pretensão efetiva de agressão, embora suas implicações geopolíticas sejam expressivas.
Por sua vez, Maduro anunciou mobilização de milícias e destacou que qualquer ataque estrangeiro seria enfrentado com uma “república em armas”, elevando o grau de alerta e a retórica nacionalista.
O momento político na América do Sul, por isso, encontra-se tensionado entre uma demonstração militar de Washington e a resistência simbólica e retórica dos governos da região, como o do Brasil e da Venezuela.
O PT, alinhado ao governo Lula, reafirma apoio à diplomacia baseada no diálogo, contestando que ações externas autoritárias sejam solução para os desafios hemisféricos.
Ao invés disso, defende-se a construção de entendimentos regionais e o respeito às instituições multilaterais como instrumentos de preservação da paz.
Essa posição, ainda embasada em argumentos institucionais, também busca sinalizar que eventual escalada deve passar pelo crivo da coerência internacional e da soberania latino-americana.
O caráter analítico da nota do PT reflete sua percepção de que políticas externas fundamentadas em ameaças podem deteriorar uma agenda de cooperação e aprofundar divisões regionais.
Nesse sentido, a mensagem ressalta que o uso de poder militar como ferramenta de resolução de conflitos já mostra-se ultrapassado, incompatível com os desafios contemporâneos.
O posicionamento público também serve como delineamento de uma linha diplomática que rejeita intervenções indiretas e prioriza a autonomia dos países latino-americanos.
Cabe observar que o episódio pode servir como marco para futuras pautas de defesa regional, cooperação antinarcóticos e diálogo entre potências e mercados emergentes.
Em última análise, a nota do PT marca uma postura clara em defesa da soberania venezuelana, com críticas firmes às ações de Washington e reforço aos valores diplomáticos sul-americanos.

