Projeto antifacção que PT votou contra é aprovado: Preso não vota mais e não ganha auxílio-reclusão

A Câmara dos Deputados aprovou um novo marco legal de combate ao crime organizado que promete alterar profundamente a relação do Estado com facções e milícias. O texto endurece penas, restringe benefícios e amplia instrumentos de investigação, sinalizando uma guinada punitiva que agora segue para avaliação do Senado.

Um dos pontos mais controversos é a retirada do direito ao voto para presos condenados. A medida reacende um debate antigo sobre cidadania, punição e ressocialização, ao afirmar que a prática de crimes graves rompe, ainda que temporariamente, o vínculo político do condenado com o processo democrático.

Outro eixo sensível da proposta é o fim do auxílio-reclusão para familiares de integrantes de organizações criminosas. Defensores do texto argumentam que o benefício, criado para proteger dependentes, vinha sendo instrumentalizado por facções; críticos alertam para o risco de punir famílias que não cometeram crimes.

O projeto também endurece significativamente as penas para quem integra facções e milícias, elevando o custo jurídico da associação criminosa. A lógica é desestimular a adesão e reduzir o poder de atração desses grupos, sobretudo em territórios vulneráveis.

Além disso, o texto veda de forma expressa indulto, anistia e liberdade condicional para crimes relacionados ao crime organizado. Trata-se de uma resposta direta à percepção de impunidade e à reincidência de líderes que, mesmo condenados, mantêm influência fora das prisões.

Um capítulo central da proposta amplia a possibilidade de confisco de bens ainda no início das investigações. A estratégia mira o coração financeiro das organizações, apostando que sufocar recursos é mais eficaz do que apenas prender indivíduos.

Nesse mesmo sentido, o projeto prevê o envio de líderes para presídios federais, com regime mais rígido e isolamento maior. A intenção é quebrar a cadeia de comando e reduzir a comunicação com o mundo externo, frequentemente usada para ordenar crimes.

A votação expôs divisões claras no plenário. Parlamentares da base governista e da oposição se alinharam de maneiras distintas, mas chamou atenção o fato de o PT ter votado contra vários trechos do projeto, especialmente os mais restritivos em direitos e benefícios.

Para o partido, há preocupação com excessos punitivos, riscos de inconstitucionalidade e impactos sociais colaterais. Já os defensores do texto afirmam que o país enfrenta uma emergência de segurança pública que exige medidas duras e excepcionais.

O debate também alcança especialistas, que alertam para a necessidade de equilíbrio entre repressão eficaz e garantias legais. Sem políticas de prevenção, inteligência e reinserção social, dizem, o endurecimento pode produzir efeitos limitados no longo prazo.

Ainda assim, o recado político é claro: há maioria no Congresso disposta a ampliar o braço penal do Estado contra o crime organizado. A aprovação na Câmara funciona como um sinal de pressão pública por respostas mais rápidas e contundentes.

Agora, com a proposta no Senado, o texto deve passar por ajustes, negociações e possível judicialização futura. O desfecho dirá se o país está diante de uma mudança estrutural na política criminal — ou de mais um capítulo intenso em um debate que está longe de terminar.

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