Um pregador islâmico turco está provocando polêmica ao afirmar que homens sem barba podem despertar “pensamentos indecentes” em outros homens. A declaração foi feita por Murat Bayaral, durante participação na emissora religiosa turca Fatih Medreseleri. Segundo ele, a barba seria um dos elementos que distinguiam homens e mulheres.
De acordo com Bayaral, a ausência de barba acaba gerando confusão visual. “Homens sem barba não podem ser distinguidos das mulheres”, afirmou ele, sugerindo que isso pode provocar reações sexuais ou eróticas entre homens.
Ele exemplificou sua tese dizendo que, se um homem com cabelo longo estiver sem barba, alguém que o veja de longe pode confundi-lo com uma mulher. “Hoje em dia, mulheres e homens se vestem de maneira semelhante. Deus nos livre! Você poderia ser tomado por pensamentos indecentes”, acrescentou.
Bayaral defendeu que os homens devem cultivar a barba por ser “um dos dois pontos do corpo que separam o masculino do feminino”. Para ele, isso seria parte de uma identidade masculina clara.
Ele também rejeitou a ideia de que um homem precise pedir permissão à esposa para remover os pelos faciais. Na visão dele, a barba não é apenas estética, mas simbólica. consideraram sua posição conservadora e questionável do ponto de vista contemporâneo.
Analistas observam que esse discurso se insere em um contexto mais amplo na Turquia, onde há uma tendência de resgate de valores religiosos tradicionais, combinada a pressões sobre a identidade masculina e a moral pública.
Por outro lado, há quem lembre que nem todos os estudiosos islâmicos concordam que a barba seja obrigatória. Alguns interpretam que os textos religiosos recomendam deixá-la crescer, mas não proíbem um corte menor ou o feito de mantê-la aparada.
Também há em tradições islâmicas uma preocupação histórica relacionada à aparência de jovens sem barba (“beardless youths”), segundo certas interpretações de estudiosos antigos.
Essa visão crítica de Bayaral toca em temas sensíveis sobre gênero, atração e moralidade dentro da religião, levantando debate sobre até que ponto práticas estéticas podem estar ligadas à espiritualidade ou à pureza moral.
Alguns interlocutores acusam o pregador de sustentar uma visão moralista rígida que associa a ausência de barba a tentações sexuais ou desordens de comportamento, uma postura que pode ser vista como exagerada.
Para outros, sua afirmação revela um medo subjacente: o temor de que a aparência feminina em certos homens solte reflexões sobre a homossexualidade ou atração entre pessoas do mesmo sexo.
Especialistas em estudos islâmicos e sociologia religiosa afirmam que essa lógica religiosa pode reforçar estigmas sobre masculinidade e desejo, além de criar uma divisão desnecessária entre corpo, fé e identidade.
Além disso, críticos argumentam que as ideias de Bayaral não têm base empírica ou científica para sustentar uma correlação entre barba e atração ou reações homossexuais.
Do ponto de vista sociopolítico, esse tipo de discurso pode reforçar agendas conservadoras em sociedades onde há tensão entre modernidade, secularismo e religiosidade pública.
Internautas e comentaristas na Turquia e no mundo muçulmano têm reagido com ironia, preocupação ou rejeição, dependendo de sua interpretação pessoal dos valores tradicionais islâmicos e sua visão sobre a estética masculina.
Além disso, teólogos mais moderados destacam que a interpretação da barba como requisito moral pode variar muito de acordo com a escola de pensamento islâmico, e que não há consenso absoluto entre estudiosos sobre suas implicações espirituais.
Para alguns muçulmanos, a recomendação de Bayaral parece reforçar estereótipos de gênero ultrapassados, que vinculam masculinidade estritamente a características físicas e desvalorizam homens que, por alguma razão, não têm barba.
Em última análise, a declaração do pregador Murat Bayaral levanta uma reflexão ampla: sobre como aspectos da aparência física podem ser usados como critério moral, e até que ponto a religiosidade deve intervir nas escolhas corporais individuais.
O debate segue aberto, reverberando entre estudiosos de religião, líderes comunitários e fiéis, especialmente em um momento em que normas tradicionais são questionadas por mudanças culturais e sociais mais amplas.

