A Polícia Civil cumpriu nesta quinta-feira (2) um mandado de busca e apreensão na residência da atriz e influenciadora Juliana Rosa, conhecida como “Juju dos Teclados”, localizada em Volta Redonda (RJ). A ação decorre de investigações que apuram supostas incitações à violência política dirigidas ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), alvo direto de declarações atribuídas à artista.
De acordo com informações divulgadas pelo próprio parlamentar, Juliana teria utilizado suas redes sociais para sugerir o fuzilamento de “conservadores” após a repercussão do assassinato do ativista norte-americano Charlie Kirk. Em publicação no Twitter, ele afirmou: “Juju dos Teclados sugeriu o meu fuzilamento e de outros conservadores. Hoje, todos os seus celulares e computadores foram apreendidos. Estamos atrás de cada um.”
Nikolas Ferreira sustentou que a influencer usou de suas plataformas digitais para incitar violência, afirmando que os dispositivos apreendidos durante a operação policial — celulares, computadores — serão analisados como parte das investigações.
Segundo as imagens que circulam nas redes, Juliana teria expressado desapreço pela morte de Kirk, chegando inclusive a dizer que o episódio era “poético”. Em determinado trecho do vídeo, ela teria afirmado: “É uma moda que cairia super bem com qualquer peça Bolsonaro… se tiver algum doido assistindo, sugestões…”, mencionando assim Nikolas Ferreira, o empresário Luciano Hang e outros nomes.
Na mesma gravação, Juliana teria pedido “justiça” para o atirador que matou Kirk, e encorajado a execução de pessoas que se opõem ao espectro político conservador no Brasil. Após a repercussão negativa, o vídeo em questão foi removido de suas redes sociais.
A ofensiva da Polícia visa reunir provas que possam caracterizar crimes de apologia à violência, incitação ao crime ou discurso de ódio, conforme previsto na legislação brasileira. A investigação ainda está em curso e implica em análise técnica dos dispositivos eletrônicos recolhidos durante a operação.
A ação policial escolheu o momento posterior à repercussão midiática do episódio envolvendo Charlie Kirk para fazer valer o mandado judicial, mostrando que há articulação institucional para acompanhar manifestações de ódio nas redes sociais, sobretudo quando envolvem figuras políticas de destaque.
Ainda segundo o parlamentar, a operação não se limitaria apenas aos dispositivos apreendidos com Juliana — ele afirmou que novas diligências podem atingir outras pessoas envolvidas ou citadas nas publicações da influenciadora.
Juliana Rosa, por sua vez, permanece como investigada no inquérito aberto para apurar sua conduta. Até o momento, não há confirmação pública de sua versão ou manifestação oficial por parte de sua defesa. As autoridades deverão conceder direito de resposta nos próximos passos da investigação.
O episódio reacende o debate sobre os limites da liberdade de expressão nas redes sociais, especialmente quando há discurso que pode ser interpretado como ameaça ou apologia à violência política. Especialistas em Direito alertam para a necessidade de ponderação entre direito à manifestação e preservação da ordem pública.
Além disso, o caso ilustra o atual desafio das autoridades brasileiras em lidar com conteúdos extremos e discursos agressivos em ambientes digitais, que muitas vezes se propagam rapidamente e escapam ao controle institucional até que haja mobilização ou denúncia.
As instituições envolvidas na investigação devem avaliar se os elementos recolhidos nas buscas serão suficientes para embasar denúncias formais e se haverá indiciamentos. A análise técnica das evidências eletrônicas será crucial para determinar o grau de responsabilidade da autora das publicações.
Em paralelo, o ambiente político deve acompanhar com atenção os desdobramentos, uma vez que parlamentares e figuras públicas frequentemente são alvos e autores de discursos agressivos, o que pode gerar precedentes relevantes para futuras investigações.
O cumprimento do mandado na casa de Juliana Rosa demonstra que, independentemente da notoriedade ou do alcance nas redes sociais, o aparato investigativo pode agir diante de indícios de ilícitos graves que extrapolam o debate público. A transparência no processo será fundamental para legitimar os resultados.
Por ora, o foco recai sobre a apuração dos conteúdos eletrônicos apreendidos, que poderão revelar a extensão das publicações, sua autoria, e possíveis interações com outros usuários ou influenciadores. A análise pericial será decisiva para alimentar o caso.
Caso sejam confirmadas as suspeitas, Juliana pode responder legalmente por crimes previstos no Código Penal, como apologia a crime (artigo 287), incitação à violência e, potencialmente, ameaça, dependendo do teor das mensagens obtidas.
A rapidez da ação policial e a ampla repercussão do caso indicam que as autoridades estão atentas às manifestações de ódio no meio digital, especialmente quando o alvo é figura pública. O cenário exige equilíbrio entre garantir segurança e resguardar direitos fundamentais.
Enquanto isso, o deputado Nikolas Ferreira segue ativo nas redes, cobrando ações enérgicas contra discursos que considera agressivos, e reafirmando o compromisso de levar o caso até as últimas consequências. Sua postura reforça expectativas de rigor no andamento do processo.
O episódio também traz à tona discussões sobre moderação nas plataformas sociais, responsabilidade dos influenciadores e necessidade de regulação eficiente para prevenir que discursos violentos ganhem público e impacto. Ferramentas de fiscalização legislativa e digital podem entrar em foco.
Nos próximos dias, espera-se que a Polícia ou o Ministério Público se pronunciem sobre o andamento do inquérito, eventual indiciamento ou denúncia, e também sobre eventuais pedidos de arresto de bens ou determinações judiciais complementares.
Para o público, o caso representa uma chamada de atenção para os limites do discurso nas redes sociais. O que começa como provocação pode evoluir para implicações legais sérias, e a vigilância social sobre publicações online ganha importância crescente.
Este episódio serve de alerta para influenciadores, perfis com alcance expressivo e cidadãos em geral: o ambiente digital não é território sem lei. Postagens ou falas consideradas ameaçadoras ou incitadoras de violência podem motivar ação criminal.
À medida que o processo se desenvolve, a atenção recai sobre o papel das autoridades, a atuação judicial e a forma como o sistema de Justiça brasileira se posicionará diante de casos envolvendo figuras públicas, redes sociais e discursos radicais.
Cabe aguardar os próximos capítulos da investigação, acompanhando como serão interpretadas as evidências, quais provimentos judiciais serão requeridos e, sobretudo, qual será o desfecho legal e simbólico para esse impasse que une política, direito e mídias sociais.


E a petralhada diz que o gabinete do ódio, é oriundo da ala dos conservadores.