Agentes da Polícia Civil do Rio de Janeiro emitiram na noite desta terça-feira (28) uma nota oficial na qual afirmam que os recentes assassinatos de colegas não passarão impunes. Segundo o documento, os “ataques covardes de criminosos contra nossos agentes” não ficarão sem resposta, e “a resposta está vindo, e à altura”.
A manifestação da corporação foi divulgada em meio à chamada Operação Contenção — ação conjunta de forças policiais que mobilizou cerca de 2,5 mil agentes nos complexos do Complexo do Alemão e da Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, cujo objetivo era prender lideranças da facção Comando Vermelho.
No contexto da operação foi confirmado o falecimento de quatro agentes — entre eles dois da Polícia Civil: Marcos Vinícius Cardoso Carvalho, de 51 anos, conhecido como “Máskara”, e Rodrigo Velloso Cabral, de 34 anos, que tinha apenas cerca de dois meses na função. Também perderam a vida dois militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE): Cleiton Serafim Gonçalves, de 42 anos, e Herbert Carvalho da Fonseca, de 39 anos.
A corporação definiu como “covardes” os ataques que vitimaram os agentes, reforçando que as investigações seguem em curso para identificar autores, cúmplices e possíveis mandantes. A promessa é de uma resposta proporcional e contundente.
O episódio marca um dos momentos mais delicados da segurança pública no estado. A quantidade de agentes de segurança mortas em serviço no Rio mostra um cenário que especialistas consideram alarmante.
Entre janeiro e abril de 2025, o estado do Rio de Janeiro registrou 37 assassinatos de agentes de segurança — um aumento de mais de 100% em relação ao mesmo período do ano anterior. A série histórica também revela que, desde 2018, mais de 7.800 pessoas morreram em decorrência de intervenções policiais no estado.
Esses números inserem o caso recente em um contexto de crise de segurança pública, no qual o enfrentamento direto entre Estado e organizações criminosas se torna progressivamente mais violento. A operação que resultou nas mortes dos agentes vinha sendo considerada a mais letal da história do estado.
Na nota divulgada, a Polícia Civil também expressou solidariedade às famílias dos agentes mortos e afirmou que o sacrifício deles não será em vão — segundo a corporação, trata-se de “esforço coletivo” para garantir a ordem pública e a integridade das instituições.
Por outro lado, entidades de direitos humanos e setores da sociedade civil reagiram com preocupação diante da magnitude da operação e do elevado número de vítimas. Em uma manifestação paralela, foi afirmado que a estratégia adotada expõe “o fracasso e a violência estrutural da política de segurança pública”.
O episódio reacende o debate sobre qual deve ser o limite entre ação policial e respeito aos direitos humanos, em especial em regiões de grande vulnerabilidade social e onde as facções criminais atuam de forma paramilitar. A eficiência dos esforços de inteligência, a coordenação entre forças e a atuação preventiva são apontadas como fatores indispensáveis para evitar tragédias como esta.
Para os agentes da Polícia Civil, no entanto, o foco é claro: os responsáveis pelas mortes serão localizados e respondem perante a lei. A corporação ressalta que “a resposta está vindo, e à altura” — expressão que sintetiza o tom oficial de reação emergencial.
O episódio deve gerar um impacto direto nas próximas operações e decisões estratégicas da segurança pública estadual, que poderão contar com reforço de inteligência, recursos e novas rotas de atuação para minimizar riscos aos agentes e à população.
Analistas da área afirmam que a escalada de violência demanda reforma estrutural e urgência em políticas de capacitação, proteção e valorização dos profissionais de segurança, bem como maior articulação com a sociedade para reduzir os espaços de impunidade e o poder de fogo das organizações criminosas.
Até o momento, ainda não há todos os detalhes públicos sobre investigados, mandantes ou resultados finais da operação. A Polícia Civil afirma que a investigação continuará enquanto houver fronteiras de atuação das facções e das redes de apoio ao crime.
Para as famílias dos agentes e para a corporação, o sentimento de perda se mistura com a convicção de que haverá justiça e de que o sacrifício servido desencadeará consequências duras contra os criminosos que atentaram contra a vida dos agentes públicos.
O desafio para o Estado brasileiro, e em especial para o Rio de Janeiro, consiste em recompor a sensação de segurança, restaurar a autoridade legítima e garantir que operações como esta resultem não apenas em prisões ou mortes, mas em avanços concretos na redução da violência e na proteção dos cidadãos.
Esse momento marca uma virada na postura da Polícia Civil do Rio: a promessa de resposta “à altura” pode significar não apenas uma retaliação pontual, mas uma reorganização dos mecanismos de atuação frente ao crime organizado, sob risco e sacrifício dos agentes.

