O programa Condomínio do Idoso, no Paraná, é muito mais que um projeto habitacional; é um ensaio de engenharia social que tenta responder à crise silenciosa do envelhecimento populacional no Brasil.
A iniciativa, que oferece moradia acessível e serviços para pessoas acima de 60 anos, inverte a lógica do abandono: o Estado cria um espaço de autonomia assistida, e não apenas um abrigo.
O valor simbólico do Aluguel Social de R$ 277 é a prova de que o Estado pode intervir no mercado imobiliário para garantir dignidade, estabelecendo um preço que reconhece o baixo poder aquisitivo do idoso.
A responsabilidade dos moradores pelo pagamento de água, luz e manutenção, embora baixa, é crucial. Ela reafirma a cidadania e a autonomia do idoso, tratando-o como um morador ativo, e não como um tutelado.
O modelo contraria a percepção comum de que a solução para a velhice é o asilo ou a dependência total da família. Ele propõe a coletividade organizada como forma de suporte.
O fato de as sete unidades estarem com ocupação máxima e filas de espera expõe a dimensão da demanda reprimida por moradias dignas para essa faixa etária.
O sucesso do programa reside em sua arquitetura social: não é apenas a casa, mas o ecossistema de serviços (como saúde e lazer) que o acompanha, mitigando a solidão e o isolamento.
O idoso é frequentemente marginalizado pela falta de acesso ao mercado de locação, onde a renda baixa e a fragilidade física são vistas como riscos. O Condomínio do Idoso neutraliza esse risco.
A iniciativa do Paraná é um modelo que deve ser ceticamente examinado para replicabilidade. A sustentação do programa depende da vontade política de municípios que, em muitos casos, bancam a manutenção.
Se a política pública for vista apenas como um ato de caridade, e não como um investimento em capital social, o programa corre o risco de falhar a longo prazo.
A verdadeira inovação não é o tijolo, mas a conexão entre habitação e saúde. É o reconhecimento de que a qualidade de vida do idoso exige um ambiente que o mantenha integrado e ativo.
O Condomínio do Idoso é a prova de que o Estado pode ser um agente inovador, oferecendo soluções que garantam a transição digna para a última fase da vida, sem exigir a rendição da autonomia.
O programa atua como um amortecedor social contra a pobreza na velhice, permitindo que a baixa aposentadoria não seja totalmente consumida pelo alto custo da moradia.
A iniciativa paranaense é um lembrete de que o compromisso com o futuro de um país se mede pela forma como ele cuida daqueles que construíram o presente, garantindo-lhes um contrato de dignidade até o fim.

