Paraguai autoriza Forças Armadas a combater Comando Vermelho e PCC

O anúncio do presidente paraguaio Santiago Peña, autorizando o uso de poder de reação letal pelas Forças Armadas contra o PCC e o Comando Vermelho, não é apenas uma medida de segurança; é a declaração formal de uma guerra de Estado contra facções transnacionais.

​A Doutrina do Inimigo Existencial

​Ao classificar o PCC e o CV como “organizações terroristas”, Paraguai e Argentina elevam o status desses grupos criminosos a uma ameaça à soberania nacional.

​Essa mudança de doutrina é o mecanismo legal para justificar o uso de força militar, que é tipicamente reservada para ameaças externas ou insurreições. A mensagem é clara: o Estado não tratará mais o narcotráfico como um problema de polícia, mas como um inimigo existencial.

​A afirmação de que o Paraguai não pretende mais “negociar com terroristas” marca o fim da ambiguidade e legitima a postura de enfrentamento total e o uso de meios de exceção, como o poder de reação letal.

​A Fronteira da Contradição

​A decisão reflete o desespero de um Estado diante da expansão violenta de facções brasileiras que usam o território paraguaio como hub logístico para o tráfico de drogas e armas.

​Contudo, o ceticismo exige questionar o risco de descontrole. A autorização de letalidade para as Forças Armadas em ambientes civis é uma ferramenta perigosa. Ela aumenta exponencialmente o risco de violações de direitos humanos e de “efeitos colaterais” sobre a população inocente.

​A linha tênue entre o combate ao terrorismo e a execução sumária é facilmente cruzada, e a história da América do Sul está repleta de exemplos da falência da militarização da segurança pública.

​O Alerta para o Brasil e o Deslocamento do Problema

​A ação de Peña é um alerta severo para o Brasil. A militarização do combate ao PCC e ao CV no Paraguai pode ter um efeito contraintuitivo: a pressão militar pode empurrar as facções para dentro do território brasileiro, intensificando a violência nas cidades de fronteira e nas grandes capitais.

​O endurecimento paraguaio não elimina o crime; ele o desloca. A autoridade do Estado, que busca ser restaurada, não se solidifica apenas com tiros, mas com a capacidade de desmantelar a economia do crime.

​A estratégia de enfrentamento direto é uma resposta emocionalmente satisfatória para a população paraguaia, mas o sucesso em longo prazo dependerá da coordenação de inteligência e repressão financeira com o Brasil e a Argentina.

​O Paraguai escolheu a escalada militar. O mundo observa se essa “guerra total” resultará em ordem ou apenas em uma espiral de violência que o Estado terá dificuldade em conter.

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