Pai de menina encontrada m*rta, diz que ela havia pedido para morar com ele

A Polícia Civil de Serrana (SP) investiga a morte da menina Ana Alice Santos França, de 11 anos, sob a suspeita de estupro de vulnerável seguido de homicídio. O caso provocou comoção na cidade e acendeu uma série de questionamentos sobre a apuração do crime.

Inicialmente, os médicos do Hospital das Clínicas registraram o caso como uma possível tentativa de suicídio. A entrada de Ana Alice no hospital foi justificada por “enforcamento sem causa aparente”, segundo boletim de ocorrência.

No entanto, os exames periciais apontaram sinais incompatíveis com suicídio: foram encontradas lesões e hematomas no pescoço da criança e também material biológico masculino — o que levou à reclassificação do caso para investigação de abuso sexual.

De acordo com o delegado Marcelo Melo de Lima Garcia, há “no mínimo duas lesões” na região íntima da vítima, além de possível sêmen na vulva. Essas conclusões partiram da análise feita pelo Instituto Médico Legal (IML).

A mulher de 38 anos, mãe de Ana Alice, relatou à polícia que não havia percebido mudanças de comportamento na filha. Segundo ela, a menina tinha uma relação normal com o padrasto, os irmãos e os demais familiares.

A noite em que tudo aconteceu teria sido tranquila, segundo a versão da família. A irmã de 15 anos havia saído para a igreja, e a mãe estava no trabalho. Quando o padrasto voltou para a sala, viu Ana Alice inconsciente, com um cordão preso ao queixo.

Em seguida, o homem levou a criança à UPA de Serrana, onde foi reanimada. Depois, ela foi transferida para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, onde ficou entubada até morrer.

A repercussão foi imediata: a Polícia Civil cumpriu um mandado de prisão temporária contra o padrasto, Douglas Júnior Nogueira, de 32 anos, apontado como principal suspeito.

Durante as investigações, as autoridades apreenderam os celulares do padrasto, da mãe de Ana Alice e da própria vítima, para análise pericial.

Roupa íntima da criança, escovas de dente dele e dela, além de outros objetos pessoais, foram recolhidos pela polícia para exames forenses.

A reviravolta no caso gerou comoção na cidade. No velório, o pai da menina, Flávio Antunes de França, expressou profundo sofrimento e revelou que a filha gostaria de morar com ele. “Ela falava: ‘pai, eu quero morar com o senhor…’”, disse.

Ele contou ainda que estava preparando um quarto para ela em sua casa, com a esperança de protegê-la de possíveis riscos. Na fala dele, ficou evidente o sentimento de culpa por não tê-la acolhido antes.

O Conselho Tutelar foi consultado, mas segundo a investigação, não havia registros anteriores de denúncias formais sobre a família — algo que preocupa no que se refere à rede de proteção.

A polícia também ouviu o irmão de 19 anos de Ana Alice. Ele afirmou que, na noite em questão, talvez não estivesse em casa durante toda a noite: há a possibilidade de ele ter saído para a academia.

O delegado Garcia destacou que é fundamental esclarecer onde cada membro da família estava no momento dos fatos, para entender se poderia haver pessoas responsáveis pela violência.

As investigações agora dependem de laudos periciais, tanto do IML quanto dos exames nas vestimentas apreendidas, para comprovar ou afastar a suspeita de estupro seguido de morte.

A prisão temporária do padrasto será avaliada em audiência de custódia, em que a Justiça decidirá se ele seguirá detido durante o processo.

Familiares foram chamados para prestar depoimento e esclarecer os laços afetivos, os deslocamentos da noite do crime e possíveis contradições na versão apresentada até agora.

O IML deve entregar os resultados nessas próximas semanas, e a perícia poderá indicar se realmente houve crime sexual ou se outras circunstâncias cobrem a morte da criança.

A repercussão pública é intensa, e o caso levanta debates urgentes sobre proteção infantil, controle de lares, responsabilidade familiar e eficácia das políticas de denúncia e acompanhamento social. O desfecho pode reforçar a necessidade de redes mais robustas para prevenir tragédias semelhantes.

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